Médico pessoal e imprensa são mantidos sob disciplina militar

Especialistas, porém, elogiam qualidade do hospital e o classificam como de ?primeira linha?

Livio Oricchio, BUDAPESTE, O Estadao de S.Paulo

27 de julho de 2009 | 00h00

O Hospital Militar de Budapeste é, como o nome diz, uma área militar, apesar da maioria no seu interior ser de civis. E o controle intenso de toda atividade na área faz com que, por exemplo, a imprensa não possa entrar. Dezenas de profissionais permanecem na rua Robert Károly, em Peste, aguardando as raras manifestações do doutor Bozlo Peter, quase monossilábicas, em húngaro, traduzidas por uma intérprete. O rio Danúbio divide a cidade em Buda e Peste.Ontem, por exemplo, o médico emitiu seu comunicado oral por volta das 12h30. Sua marca registrada é sempre desenhar o pior quadro possível, o que fez com que o repórter da agência Associated Press o seguisse ao pé da letra e gerasse uma dura reação da direção de imprensa da Ferrari com o jornalista. Ele distribui nota dizendo que Massa corria sério risco de morte. Mas, antes de o respeitado neurologista dizer, de novo, ontem, que Massa corre risco iminente de morte, a imprensa viu a família do piloto chegar, às 10h30, vinda de São Paulo. Rafaela parecia bastante atingida com o drama, tanto que chorava, ao passo que Luis Antonio, o pai, e Ana, mãe, tinham semblante tenso, mas mantinham-se firmes. Não conversaram com os jornalistas. Tudo o que desejavam era ver Massa.Os médicos precisavam conhecer sua reação sob menor analgesia e o deixaram acordar. As informações são de que ele identificou todos. O seu médico particular, Dino Altman, aproveitou para compreender melhor o estado do paciente, ao promover alguns testes. O combinado para Altman poder seguir tudo de perto é que, tanto ele quanto o conceituado médico francês Gerard Saillant não digam nada, e, quando o neurologista militar Bozlo Peter se manifestar, os dois devam estar atrás dele. Tanto Altman quanto Saillant atenderam o que não é bem um pedido, mas uma ordem.Para corresponder ao pedido dos jornalistas brasileiros, Altman solicitou que ligassem no seu celular. E a situação ficou no mínimo estranha porque a imprensa podia vê-lo através das portas de vidro do hospital enquanto respondia as perguntas, mas através do telefone. Pessoalmente estava proibido.Mas, se a ordem é seguir a disciplina dos quartéis, em termos de hospital, os pilotos de Fórmula 1, especialmente Massa, estão bem servidos. O Hospital Militar de Budapeste ganhou elogios tanto de Altman quanto de Saillant, que o classificaram como de "primeira linha". A área ao redor do hospital é exclusivamente residencial. São edifícios baixos típicos do Leste europeu da época do comunismo, mas já permeados por construções modernas e de arquitetura que nada têm a ver com a da época totalitária. Sua concepção, sua suntuosidade e, por vezes até exagero, representam o máximo do capitalismo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.