Médicos não sabem como tratar o pulso de Jade Barbosa

Repouso teve efeito nulo na recuperação; agora busca de ajuda no exterior

Valéria Zukeran, O Estadao de S.Paulo

30 de dezembro de 2008 | 00h00

Os médicos de Jade Barbosa não sabem ao certo como vão tratar a séria contusão em seu pulso direito nos próximos meses. Segundo o ortopedista Ricardo Laranjeira, o repouso para tratar da osteonecrose (necrose no osso por falta de irrigação sanguínea) do capitato do punho direito não surtiu efeito algum e os médicos ainda não chegaram a um acordo sobre o próximo passo. Pretendem procurar especialista em Miami, nos Estados Unidos, para ajudar na missão. A possibilidade de cirurgia não está descartada."O osso está morto e não há o que fazer quanto a isso", afirma Laranjeira. Segundo ele, havia uma esperança remota de que o período de repouso iniciado em setembro melhorasse a situação de Jade. "O resultado negativo não é, exatamente, uma surpresa." Segundo o médico, o caso da ginasta é raro, complexo, grave e de difícil tratamento. "Se fosse uma pessoa com atividades cotidianas normais, poderia continuar como está, mas como é ginasta, além da dor, há o risco de o problema se espalhar para os outros ossos com os quais o capitato faz contato", explica o ortopedista. INTERCÂMBIOO médico diz que os profissionais da Clínica da Mão do Rio, onde trabalha, tem boa relação com o ortopedista Alejandro Badia, do Miami Hand Center. "Pretendemos encaminhar os exames de Jade para que ele faça uma avaliação", explica. "A idéia é chegarmos a um consenso sobre a forma de tratamento, já que, por ser um caso raro, não há unanimidade sobre como proceder", acrescenta o médico. Laranjeira explica que Jade pode passar por uma cirurgia ou tratamento conservador, com fisioterapia e remédios. Enquanto isso, poderá se exercitar normalmente até para avaliar se, após o repouso, as dores diminuíram. Quanto à possibilidade de participação da ginasta no Mundial, previsto para outubro do ano que vem, na Croácia, o médico preferiu não fazer prognósticos. "Ainda é muito cedo para isso", diz, cauteloso. PRÓTESEO ortopedista conta que a medicina já desenvolveu próteses do capitato para implante em pacientes, mas o material não é indicado para o caso de Jade. "O problema é que elas (as próteses) não foram feitas para atletas." Segundo o médico, o material pode não suportar a carga de peso sobre o punho durante a execução de um exercício. Laranjeira afirmou que um grupo de especialistas da Universidade de São Paulo procurou o pai de Jade se oferecendo para analisar o caso da ginasta. O Estado tentou entrar em contato com César Barbosa para saber se ele aceitou a proposta, mas o telefone do arquiteto estava desligado.

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