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Medina já tem sua estratégia para a Olimpíada: 'estar mais leve e ter outra prancha'

Bicampeão mundial de surfe vai assistir nesta quarta, pela primeira vez, filme que mostra sua trajetória, desde as primeiras manobras até o topo

Entrevista com

Gabriel Medina

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 10h00

Bicampeão mundial e considerado um dos maiores surfistas da atualidade, Gabriel Medina já tem uma estratégia para se dar bem nos Jogos de Tóquio, quando o surfe fará sua estreia no programa olímpico. Ele admite que vai ficar "mais leve" e trocar de prancha. O atleta diz que as ondas no Japão são menores, mais baixas, e se ele precisará ter mais agilidade nas baterias. A escolha de uma nova prancha segue o mesmo raciocínio.

Nesta quarta, o surfista de Maresias vai assistir pela primeira vez o filme que conta sua trajetória sobre as pranchas. "Só vi uma pequena parte dele, estou ansioso para conferir o restante", disse ao Estado. A produção do canal OFF chegará à plataforma do Globoplay na sexta-feira (dia 31) e terá imagens inéditas da carreira de Medina, muitas delas garimpadas em fitas VHS de amigos do atleta. A direção é de Henrique Daniel, que acompanha o surfista desde 2011.

Vocêr ainda está de férias? Como está o planejamento para a temporada?

Eu volto a treinar no próximo dia 5. O foco inicialmente está no Circuito Mundial de Surfe, mas claro que tem a Olimpíada (em Tóquio, em julho) e vou precisar de uma preparação especial (pela primeira vez nos Jogos a surfe fará parte do programa esportivo). No Japão a onda é fraca e pequena, então tenho de estar mais leve e ter uma outra prancha.

Qual abordagem terá seu documentário?

O filme conta minha trajetória desde que comecei até hoje. Todas as coisas que passei, as muitas vitórias, as muitas derrotas, e minha vida também. Todos conhecem o surfista de hoje, mas não sabem o que passei para chegar até aqui. Então esse filme vai poder contar minha história. Estou bastante feliz, é um projeto que venho trabalhando faz tempo e finalmente saiu.

Você sempre tem alguém te acompanhando quase que 24 horas. Como é esse convívio com o Henrique Daniel, que assina a direção da produção?

Sempre foi muito tranquilo. A gente começou a gravar em 2011 e ele sempre foi bem tranquilo nessa relação, tanto que virou um irmão. Até meu pai, que não gosta muito de câmeras, se sente confortável com ele. É uma pessoa especial, parece que é da família. Em todo esse tempo junto com ele, nunca teve um desconforto. Acho até que se não tivesse essa parceria, não haveria filme.

A produção traz coisas inéditas, nunca antes vistas? Do que você mais gostou?

Tem muitas coisa que eu nunca tinha visto. Pegamos materiais de vários amigos nossos de infância, que naquela época já gravavam, e deu trabalho para o Henrique reunir tudo. Era muita imagem, e foi legal lembrar das pessoas que tinham essas imagens. Ainda mantenho as velhas amizades, mas fica difícil encontrar com frequência, pois mal paro no Brasil. Assisti a uma parte do filme e me fez voltar no tempo. Está muito maneiro e meus amigos estão super ansiosos para ver também.

Você tem apenas 26 anos, mas já teve um livro sobre sua trajetória publicado e agora um filme. É uma carreira de sucesso?

Acho que sim. Mas de muita responsabilidade também. Estou feliz por ter chegado até aqui e poder contar minha história. É uma honra. Com 15 anos, eu tinha vencido uma etapa 10 mil da divisão de acesso. Isso é um feito enorme. Continuo evoluindo e esses últimos seis anos têm sido assim. Todo ano estou na disputa do título e já tenho dois Mundiais. Eu vim de Maresias, não esperava estar vivendo isso. É um sonho.

Este ano temos a disputa do Circuito Mundial de Surfe e a estreia do surfe na Olimpíada. O filme pode ficar desatualizado?

Esse ano é muito importante, tem os Jogos Olímpicos, e estou ansioso para isso também. Espero que o filme fique velho logo (risos). Tenho 26 anos, tem muitas coisas para acontecer e espero continuar tendo sucesso.

Você é o atleta do Time Brasil mais seguido nas redes sociais. Você continua tocando suas redes sozinho, sem equipe para ajudar?

Eu gosto de fazer assim. Não deixo ninguém mexer, gosto de interagir com as pessoas, e minha conta tem crescido bastante. Assim, tento ser eu mesmo, compartilhar as coisas legais, mostrar o meu dia a dia, posto coisas com a família e amigos, dos lugares que eu fui, e até as rotinas de treinamento. A galera tem curtido.

Você terminou a temporada envolvido em polêmica com o Caio Ibelli, em Pipeline. Acha que isso pode te atrapalhar?

Faz parte do jogo. Não fiz nada que não estava na regra. Toda bateria estou lá para ganhar. Se estiver na regra, vou fazer o que for possível para ganhar minha bateria. Muita gente falou sobre isso, a repercussão foi grande. Ninguém nunca tinha feito e a galera ficou um pouco em choque. É coisa de competição e eu estou ali para ganhar.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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