Meira tem recomeço com festa no pódio

Em sua primeira corrida depois do grave acidente em maio, piloto brasileiro chega em 3º e agradece fidelidade de sua equipe

, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2010 | 00h00

Vitor Meira encerrou o fim de semana certo de que sua estreia na temporada da Fórmula Indy não poderia ter sido melhor. O terceiro lugar obtido pelo brasileiro foi uma recompensa por todo o trabalho realizado por sua equipe, de porte mediano, e pelo próprio piloto, que voltou às pistas depois de 11 meses afastado por causa de um sério acidente. O pódio lhe servirá como estímulo para o restante do ano.

Meira sofreu um acidente espantoso nas 500 Milhas de Indianápolis, em maio. Na ocasião, fraturou parcialmente duas vértebras e teve de ficar quase três meses longe das pistas. "Depois comecei a fazer fisioterapia e, na sequência, passei a pilotar kart de colete (ortopédico)." Segundo o piloto, o maior problema no período foi o fato de que estar pronto para correr não era o suficiente. "Você tem de estar bem também pra bater (para não agravar a lesão em caso de novo acidente). Os médicos da Indy foram muito cuidadosos nesse aspecto."

Meira foi particularmente grato à atitude do chefe de sua equipe, o americano A.J. Foyt, o maior vencedor da história das 500 Milhas de Indianápolis. "Ele me visitou no hospital depois do acidente dizendo para eu ficar tranquilo que o carro estaria esperando por mim quando pudesse voltar. Acho que não me recuperaria tão rápido se não fosse essa garantia." O resultado de ontem, para Meira, não só foi uma recompensa por essa fidelidade como providencial para o futuro da escuderia. "Vai nos ajudar muito a negociar a renovação com alguns patrocinadores."

O brasileiro também ressaltou o apoio incondicional da família. "Principalmente meu pai, todo mundo sabe como é difícil a vida de piloto, mas também a minha mãe e meus irmãos, que muitas vezes fazem sacrifícios para que eu possa ter dinheiro para competir."

Meira admite que, para chegar em terceiro lugar, contou com uma boa dose de sorte, além de uma estratégia cautelosa, na qual esperou o erro dos adversários, como o do australiano Ryan Briscoe, que bateu quando liderava. "Em situação normal eu não teria carro para disputar posição com os grandes (Andretti, Chip Ganassi e Penske), mas aconteceram várias coisas que acabaram me beneficiando, como ter tomado decisões acertadas durante a corrida. Com tudo o que aconteceu (acidentes, chuva e interrupção da prova) não dá para planejar nada."

O piloto citou como momento crítico da corrida o retorno depois na primeira bandeira amarela após a paralisação, quando optou por trocar seus pneus de pista molhada pelos de seca. "Quando voltamos o piso ainda estava um pouco escorregadio, mas secou rapidamente. Nesse intervalo, meu carro rendeu muito mais que os outros e acho que isso foi decisivo para o resultado."

Alegria e decepção. A quarta posição na corrida causou uma mistura de alegria e decepção para Rafael Matos. "Por um lado, fiquei chateado por ter ficado fora do pódio; por outro, foi um bom resultado", ponderou. O piloto disse que seu carro perdeu rendimento nas últimas voltas, o que permitiu a Meira ultrapassá-lo. Assim como o companheiro brasileiro de Indy, o piloto considerou que uma série de decisões acertadas ajudaram a obter o resultado. / A.P.G, VZ e W.B. Jr.

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