Melhor ataque da história é premiado

Atacante Falcão Garcia marca seu 17º gol na competição e garante a vitória do imbatível Porto sobre o Braga em Dublin

Paulo Vinícius Coelho, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2011 | 00h00

DUBLIN, Irlanda

Demorou 43 minutos para o Porto marcar seu 37.º gol na Liga Europa, o 17.º de Falcão Garcia no torneio, consolidando o melhor ataque da história das copas europeias e o maior goleador também. Gol que valeu o título na vitória por 1 a 0 sobre o Braga. Antes disso, a final de Dublin era um jogo de paciência. Ou melhor, um jogo à feição do técnico Domingos Paciência, do Braga.

Seu time bloqueava as laterais do campo, marcava os dois meias portistas, João Moutinho e principalmente Guarín. Este último, colombiano, sempre foi o principal armador da equipe. Apenas três vezes no primeiro tempo conseguiu sair da marcação do brasileiro Vandinho.

Meia de ligação nos tempos de Santa Cruz, por onde disputou o Brasileiro em 2000, Vandinho foi escalado para diminuir o espaço de Guarín.

Três vacilos. O primeiro foi corrigido pelo zagueiro peruano Alberto Rodriguez, posicionado para frear o passe para Falcão Garcia. No segundo, um cruzamento bem feito apanhou Varela marcado. No terceiro, o lançamento chegou à cabeça de Falcão Garcia. E o caminho do título estava aberto.

Mas o Porto fez provavelmente sua pior partida na campanha e irritou os 12 mil torcedores da equipe que invadiram a capital irlandesa - cerca de 6 mil bracarenses estavam na cidade. O time do Porto voltou ao segundo tempo ainda bem marcado.

Em vez de recuar e tirar espaço dos meias portistas, o Braga avançou a marcação e tirou a liberdade dos zagueiros e do volante Fernando de fazer o primeiro passe. Resultado: começou a roubar bolas perto do gol. A primeira delas, aos 42 segundos, deixou o brasileiro Márcio Mossoró, ex-Paulista e Internacional, na cara de Hélton. O goleiro salvou com o pé.

O Porto, recordista de gols, criou pouco. O Braga, mais forte na defesa do que no setor ofensivo, não teve penetração para mudar o jogo. Por isso, o melhor ataque da história ficou com a taça.

O Porto, campeão da Copa dos Campeões por duas vezes, em 1987, graças a uma grande atuação do brasileiro Juary, e, em 2004, com Deco, Carlos Alberto e Derlei, desta vez deve o título da Liga Europa aos colombianos.

Para terminar a temporada histórica, o técnico de 15 milhões (cerca de R$ 34 milhões) - a multa de rescisão de André Villas Boas tem esse valor - ainda precisa conquistar a Taça de Portugal, final marcada para domingo, contra o Vitória de Guimarães.

Mas já tem números superiores aos de José Mourinho em sua primeira temporada no Porto.

Currículo impressionante. Em 123 partidas, Mourinho somou 80,2% de aproveitamento. Villas Boas ganhou 89% dos pontos que disputou. Além do recorde de gols, Villas Boas tem outra marca: aos 33 anos e 213 dias, é o mais jovem treinador de uma copa europeia. Por tudo isso, é o sonho de consumo de vários times europeus. Pagar a multa, porém, é o empecilho que o torna sonho impossível.

O maior goleador

Ao chegar ao 17º gol, Falcão Garcia ampliou a vantagem como maior artilheiro da história do torneio. Klinsman, do Bayern de Munique, fez 15 na temporada 1995-96.

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