Melhor do mundo, Simone Biles vai inovar no Mundial de Ginástica Artística

Norte-americana mostra três movimentos para inclusão no Código de Pontuação, que serão batizados com seu nome

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

02 de outubro de 2019 | 22h19

Ginastas de diversos países submeteram aos juízes dez novos elementos para suas séries nos aparelhos. Quem mais pretende inovar no Mundial de Ginástica Artística, que começa sexta-feira em Stuttgart, na Alemanha, é a norte-americana Simone Biles, considerada a melhor atleta da atualidade. Ela apresentou três movimentos para inclusão no Código de Pontuação e aproveitou para batizá-los com seu nome.

Em cada grande evento oficial, os atletas têm a possibilidade de inovar e precisam executar com sucesso sua sugestão na competição. A Federação Internacional de Ginástica exige uma dificuldade mínima. Para o Mundial, a norte-americana criou os elementos “Biles”, para as barras assimétricas e trave, e “Biles 2” para o solo.

“Eu sinto que colocar meu nome em um elemento de dificuldade é realmente um prêmio. Sei que ele estará lá para sempre, assim como as medalhas. Mas os elementos eu sei que fui a primeira a realizar”, disse a ginasta. “Agora preciso ir lá e provar que posso fazê-los nessa competição importante, especialmente sob a pressão da disputa”, continuou.

No solo, a norte-americana quer incluir em sua série um movimento inédito que terá o nível de dificuldade J, o mais alto. Ela pretende fazer um duplo mortal grupado para trás com tripla pirueta, ou seja, vai rotacionar seu corpo três vezes completas no ar, dando um 1080°. Em agosto, ela já havia acertado o movimento durante o Campeonato Norte-americano de Ginástica.

Não apenas pelos novos elementos, mas ainda pelo enorme favoritismo, Simone Biles já é o grande nome do Mundial e deve aumentar sua hegemonia internacional. Ela chega ao evento empatada com a russa Svetlana Khorkina como a maior medalhista feminina da competição, com 20 pódios. E tem tudo para superar o também russo Vitaly Scherbo, que tem 23 medalhas e detém o recorde entre todos os atletas da ginástica artística. No Mundial, Biles deve quebrar as marcas. E isso com 22 anos.

BRASIL

A principal ausência da seleção feminina de ginástica artística no Mundial é Rebeca Andrade, um dos maiores talentos dessa geração. Mas a equipe está otimista em conseguir um bom resultado. O time é formado por Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Lorrane Oliveira, Thais Fidelis, Leticia Costa e Isabel Barbosa, que é reserva. A seleção vai buscar uma das vagas em disputa para os Jogos Olímpicos de Tóquio (são nove, pois Estados Unidos, Rússia e China já estão classificadas).

Na sexta-feira começará a disputa feminina com a presença de ginastas da Austrália, Ucrânia, Bélgica, República Checa, Alemanha, Egito, Coreia do Sul, Coreia do Norte, França, Romênia, China e Canadá. No dia seguinte é a vez de Grã-Bretanha, Itália, Holanda, Espanha, Japão, México, Rússia, Argentina, Suíça e Hungria. E então às 15h (horário de Brasília), Estados Unidos e Brasil fecham o qualificatório (com transmissão ao vivo do SporTV 3).

Biles e as brasileiras estarão na mesma rotação. De um lado será uma americana fazendo história e do outro atletas em busca de uma classificação para os Jogos de Tóquio.

 

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Brasil vai com força na disputa pela vaga olímpica por equipes no Mundial de Ginástica

Com Zanetti, Barretto e Nory, equipes masculina compete na Alemanha atrás de classificação para os Jogos de Tóquio

Paulo Favero, O Estado de S. Paulo

02 de outubro de 2019 | 22h19

O Brasil chega confiante para a disputa do Mundial de Ginástica Artística, que começa sexta-feira no Hanns Martin Schleyer Halle, em Stuttgart, na Alemanha. A equipe masculina vai em busca da vaga olímpica para os Jogos de Tóquio, em 2020. É a única chance de a seleção garantir sua presença na Olimpíada do Japão e por isso precisa ficar entre as 12 mais bem colocadas.

“É o Mundial mais importante que a gente tem, pois está em jogo a classificação olímpica. É a única chance para classificar a equipe completa. E temos totais condições. Se ver as nossas notas, o nosso desempenho mundialmente falando, a gente sabe que, se fizer nosso trabalho bem-feito, a vaga virá”, explicou o ginasta Arthur Nory.

Ele está no time masculino junto com o campeão olímpico Arthur Zanetti, Caio Souza, Francisco Barretto, Lucas Bittencourt, Leonardo Mateus de Souza e Tomás Rodrigues Florêncio, os dois últimos reservas. “O Mundial a gente sabe o peso que tem, é mais pressão, vale classificação olímpica, tem de acertar. Me preparei da melhor forma possível para chegar bem e sair satisfeito com o desempenho”, acrescentou Nory.

Ele sofreu com lesões na temporada, mas se recuperou a tempo de fazer bonito no Pan de Lima. Lá, Nory conquistou o ouro por equipes e as medalhas de prata no individual geral e na barra fixa. Conseguiu provar que estava recuperado e pronto para ajudar o Brasil. No Mundial, será muito importante porque consegue fazer todos os aparelhos em alto nível.

“O Pan foi muito bom, um começo para ver que estou bem e posso chegar e representar bem o Brasil, completando a equipe. Eu, que faço seis aparelhos, sou fundamental para a equipe, então toda minha preparação foi baseada nisso, para ajudar. E também estou me especializando em dois aparelhos que tenho chance de final. Isso só fortalece nossa equipe e quero melhorar cada vez mais. O Pan me deu confiança”, disse o ginasta.

Chico Barretto, companheiro de Nory no Clube Pinheiros, lembra que o trabalho continuou após o Pan de Lima. “Treinamos com a equipe focada e o objetivo principal é garantir a vaga olímpica por equipes para Tóquio. O País precisa ficar entre os 12 mais bem colocados. Existem também vagas por aparelhos e o atleta que for medalhista neles terá a vaga nominal garantida”, comentou.

Para ele, o grupo nacional colocou os objetivos individuais em segundo plano para poder garantir a presença máxima em Tóquio. “A gente sempre tem em mente fazer nosso melhor trabalho e quero ajudar a equipe. Os resultados individuais, se Deus quiser, vão vir como consequência. Mas a gente precisa mesmo ajudar a equipe.”

Bom momento. A atuação da equipe masculina nos Jogos Pan-Americanos de Lima – foi medalha de ouro – mostrou que os atletas têm condições de brigar pela vaga olímpica com as grandes potências da modalidade. “O Brasil tem equipe para ficar entre as nove, mas tem de competir bem, não dá para aprontar. No Pan, conversamos e fizemos os 250 pontos que buscávamos e estamos querendo repetir no Mundial”, disse o técnico Marcos Goto.

Ele também é técnico de Arthur Zanetti, candidato ao pódio nas argolas. Aos 29 anos, Zanetti já é veterano no evento e vai ao seu sétimo Mundial. E já obteve três medalhas de prata e uma de ouro. Se estiver em forma, tem tudo para conseguir outra medalha para sua coleção.

“O meu primeiro Mundial foi em 2007, aqui nesse mesmo ginásio, e posso dizer que está igual, lindo, perfeito, limpo, bem conservado, com estrutura fantástica. Estou me sentindo bem e com a cabeça boa, a seleção também está bem, todo mundo unido com o mesmo foco, o mesmo objetivo, todo mundo trabalhando bem duro e se dedicando ao máximo em cada treino”, comentou Zanetti.

PROGRAMAÇÃO DO MUNDIAL DE GINÁSTICA ARTÍSTICA

Sexta-feira e sábado

4h às 17h – Fase classificatória feminina

Domingo e segunda

5h às 16h30 – Fase classificatória masculina

Terça

9h30 – Finais por equipes na competição feminina

Quarta

8h45 – Finais por equipes na competição masculina

Quinta (10/10)

11h –Final individual geral na competição feminina

Sexta (11/10)

11h – Final individual geral masculina

Sábado (12/10)

11h – Finais por aparelhos (solo masculino, salto feminino, cavalo com alças masculino, barras assimétricas feminino e argolas masculino)

Domingo (13/10)

8h – Finais por aparelhos (salto masculino, trave feminino, barras paralelas masculino, solo feminino e barra fixa masculino)

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