Melhorar fundamentos : o caminho do ouro

Time ocupa as primeiras posições nos quesitos da Liga, mas precisa fazer ainda mais

O Estadao de S.Paulo

26 de julho de 2008 | 00h00

Para explicar a razão de Pelé ter sido o maior jogador de futebol de todos os tempos, o ex-botafoguense Nilton Santos, também campeão do mundo, disse: "Se o zagueiro fechava o lado direito, ele passava pelo esquerdo. Se o impedia pela esquerda, ele seguia pelo direito. Se fechava os dois lados, passava por cima."Para tentar conquistar o bicampeonato olímpico, a seleção brasileira comandada por Bernardinho terá de tirar uma lição das atuações do Rei do Futebol. De um lado, precisará da eficiência de Giba. Do outro, da força e da pontaria de André Nascimento. Pelo meio será fundamental a agilidade de Rodrigão e Gustavo. Na distribuição de bolas, estará o organizado Marcelinho. Mais lento e muito menos ousado que o polêmico Ricardinho, o levantador é, há um ano, o titular absoluto da equipe - desde os Jogos Pan-Americanos, no Rio. Seu maior mérito tem sido não destoar do resto do time.As ações terão de ser bem distribuídas entre os jogadores brasileiros. Durante toda a Liga, o Brasil, mesmo atuando algumas partidas com um time reserva, até que se saiu bem. Dentre os sete fundamentos individuais transformados em estatísticas pelo departamento técnico da Federação Internacional de Vôlei, o Brasil lidera em apenas um - Dante tem sido o melhor atacante com 64% de aproveitamento, até o jogo contra os Estados Unidos. Nos demais (bloqueio, defesa, saque, recepção, pontuadores e levantamento), os pupilos de Bernardinho figuram entre os cinco melhores dentre as 16 seleções. Uma forma de evitar o individualismo exacerbado, que não combina muito com um esporte mecânico como o vôlei.Avesso a elogios públicos, inclusive a si mesmo, o treinador brasileiro reconhece pelo menos uma grande qualidade do seu time. "O Brasil tem que ser reverenciado por mostrar ao mundo que voleibol não precisa ser jogado só por gigantes. Temos uma média de altura quase igual à do Japão e da China, mas ganhamos na força e na resistência física", disse, citando duas escolas tradicionalmente baixas em estatura.Assim tem sido o Brasil do vôlei masculino. A soma de todos os talentos pode transformar o time em um Pelé das quadras. Mas é bom lembrar que não existe um time imbatível. "Temos sempre que nos cobrar para melhorar", destacou Giba, considerado o melhor jogador do mundo.

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