Melhores do ano

EstadoGosto quando jornal detecta tendências, faz escola, estimula ações da concorrência. São sinais de prestígio e de percepção da realidade. A pesquisa sobre os melhores do ano, que o Estado publica desde 1978, é exemplo bem acabado de vanguarda. Numa época em que, salvo engano, apenas a revista Placar tinha sua avaliação dos destaques, com a Bola de Prata (que segue firme até hoje), a Editoria de Esportes daqui resolveu entrar no jogo e fazer apuração semelhante. Que, nos anos seguintes, cresceu e se aperfeiçoou, com acréscimos como os fatos marcantes (internacional e doméstico), os destaques (masculino e feminino), revelação da temporada, melhor time e outras bossas.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2011 | 03h06

Pouca gente sabe, incluído o público interno, mas a ideia surgiu como tantas outras sacadas: de uma boa e criativa conversa fiada, daquelas que se usava ter em redação de jornal antes do advento MSN, Facebook, Twitter e quetais. Na época em que as máquinas de escrever batucavam ferozmente, em que se falava cara a cara e em que se ia ao café para fumar (aqueles que cultivavam o vício) e descer o malho em chefia, indistintamente. (Essa última atividade, embora em menor grau, perdura. Ainda bem!)

Os mentores foram Tuca Pereira de Queiroz, então chefe de reportagem, e Luiz Carlos Ramos, editor. Este que vos fala quatro vezes por semana, na época um iniciante cabeludo, barbudo, enxerido e cheio de vontade, se meteu na conversa e sugeriu alguns quesitos. Por isso, foi encarregado de entrar em contato com colegas de outras redações e sabatiná-los. Foca (jornalista em início de carreira) de tudo, mandei ver e gastei o dedo no telefone, porém todo orgulhoso porque meus palpites foram aceitos. Senti-me, como até hoje, coautor da loucura.

Como prêmio, por muito tempo fui responsável, junto com o saudoso Edson Magrão, de distribuir questionários pelo Brasil todo, cobrar retorno, tocar a tabulação. Que era na mão mesmo, item por item, com quadradinhos com risco no meio a completar 5 citações. Eram quase duas semanas de trabalho, que incluía redigir todos os textos, procurar os vencedores e fazer repercussão.

Desgastante, um martírio, se não fosse a alegria de termos uma amostragem bem significativa de toda a imprensa esportiva do Brasil. Quer dizer, quase toda: apenas um jornal ficava fora, não por opção nossa, mas dele. Os amigos e companheiros que tínhamos lá até queriam participar, mas... Idiossincrasias, explicavam os mais refinados. Tolice e cisma, emendávamos. Coisas da vida...

Animador era o fato de que, desde a edição inaugural - e experimental, pois feita com críticos só de São Paulo -, o Estado apontou rumos. Logo de cara, o eleito como melhor jogador foi Sócrates, ainda em início de carreira. E o Doutor vingou, assim como Careca, Romário, Zico, Falcão, Ronaldo e tantos outros depois citados. Em 1979, Telê Santana ganhou como técnico do ano. Detalhe fundamental para levá-lo, em 1980, ao comando da seleção. Isso quem disse, e repetiu, foi Giulite Coutinho, presidente da CBF, um cavalheiro. É, um gentleman. Tá estranhando? Os tempos mudam.

Todo ano, nesta época, aguardo a publicação da pesquisa. Acho que não respondi uma vez, quando estava no "exílio", e me alegro, como nas priscas eras de foca, ao ver a Valeria Zukeran doidinha com as fichas e os textos. Só tenho uma tristeza: o jornal nunca materializou o prêmio. Ensaiamos e recuamos muitas vezes.

Taí um desafio para o editor Luiz Prósperi. Se depender de minha torcida, em 2012 tem troféu ou estatueta.

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