Meninas fazem ''''magia ritmada''''

Equipe da ginástica rítmica encanta público com movimentos sutis e abocanha mais dois ouros e um bronze

Bruno Chazan, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2029 | 00h00

As meninas do Brasil brilharam no último dia da ginástica rítmica no Pan. Com atuações repletas de graça, equilíbrio e técnica apurada, conquistaram duas medalhas de ouro e uma de bronze. Um desempenho até acima do inicialmente previsto, mas que repetiu Santo Domingo, quando houve três ouros e também um bronze. Ontem, a equipe figurou no alto do pódio no conjunto de aparelhos; no conjunto misto (três arcos e duas maças); e na prova de cinco cordas. Além disso, Ana Paula Scheffer ficou em terceiro lugar no exercício com arcos do individual por aparelhos.Na sexta-feira, a equipe já havia vencido o conjunto geral em exibição que encantou o público. No Rio, a única atleta da seleção que não conseguiu medalha foi Angélica Krvieczynski, que competiu em três dos quatro exercícios do individual: cordas, arcos, maças e fitas.No conjunto com três arcos e duas maças, Tayanne Mantovanelli, Nicole Muller, Daniela Leite, Marcela Menezes e Luisa Matsuo deram show e conseguiram a nota mais alta do dia: 14,750. Para se ter idéia, quem chegou mais perto foi o time de Cuba, com 13,875. Nas cordas, com Natália Peixinho no lugar de Daniela Leite, elas receberam 14,150 pontos e também foram inalcançáveis, bem à frente das demais adversárias.Ao som do inesquecível hit Emoções, do ?rei? Roberto Carlos, a estreante Ana Paula Scheffer arrancou 13,375 pontos das juízas no individual com arcos e só ficou atrás da canadense Alexandra Orlando (14,450) e da mexicana Rut Galindo (13,850). A mesma canção marcou a despedida de Janeth, após a decisão do basquete feminino."Foi uma surpresa", disse a paranaense de 17 anos, que, por causa de uma fratura no pé esquerdo, no começo do ano, começou a preparação para o Pan depois das companheiras. "Estava cansada, com as pernas meio moles", admitiu a garota, que ainda assim se superou.Foi a segunda medalha da história da ginástica artística nacional "solo": a primeira veio com Tayanne Mantovanelli, em Santo Domingo. O repeteco é indício de que o País começa a ter uma escola na modalidade.O desempenho de Ana Paula arrancou aplausos entusiasmados do público que lotou o Pavilhão 3A do Riocentro, local das competições. O incentivo foi tamanho que os torcedores jogaram por duas vezes bichinhos de pelúcia para as atletas brasileiras, demonstração de carinho e proximidade. "É inexplicável, eu não consigo dizer o que estou sentindo", dizia, aos suspiros, Marcela, antes da premiação. "É muito mais difícil com esse público, a gente tem de se concentrar ainda mais." A euforia foi tão grande que contaminou até os voluntários, que se esqueceram do trabalho e subiram ao pódio junto com as campeãs. Pularam, se abraçaram, sambaram - ao som do tema dos Jogos, Viva Essa Energia. No tumulto, a parte acrílica de uma das medalhas de Nicole Muller se partiu ao meio. "Não sei quem foi, mas não tem problema, é só alegria", minimizou. Era dia de festa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.