Meninas voltam do Japão com cabeça na Olimpíada

Durante o voo para casa, atletas refletem sobre o vice no Mundial e técnico Zé Roberto faz planos para os Jogos Olímpicos

Valéria Zukeran, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2010 | 00h00

O desembarque no Aeroporto de Cumbica, ontem, no final da madrugada, foi uma agradável surpresa para o técnico José Roberto Guimarães e as jogadoras da seleção brasileira feminina de vôlei. Apesar de não haver torcida esperando na área de desembarque, o grupo foi aplaudido espontaneamente pelas pessoas que perceberam sua presença. Foi um reconhecimento do público que ajuda a superar a decepção pela derrota na final contra a Rússia no Mundial de Vôlei.

A longa viagem do Japão ao Brasil ajudou o time a pensar nas lições do torneio visando à Olimpíada de Londres, como a necessidade de uma maior atenção para equipes em ascensão, como Alemanha e Japão, e a constatação de que é necessário investir mais em um time B - seria utilizado para preparar atletas para a disputa dos Jogos de 2016.

Zé Roberto afirma que o grupo do Mundial deve estar em Londres. "A base é essa. Infelizmente ficaram de fora a Paula e a Mari, por contusão, mas elas estão dentro do projeto da Olimpíada." As duas deverão ser convocadas em maio, quando começa a preparação para a temporada 2011. "O campeonato mais importante é o Sul-Americano, que é classificatório para os Jogos de Londres, Copa do Mundo e mais o Grand Prix, que acontece antes dessas duas competições.""

O técnico revelou que a partir de 2011 deverá haver investimento maior em um time pensando nos Jogos do Rio. "Ano que vem a gente quer montar seleção A e B, com a equipe B disputando alguns campeonatos. A gente não pode só visar 2012", diz Zé Roberto. "Esse time vai jogar algumas competições, Copa Pan-Americana, Top4, Montreux vai ser seleção mesclada. O Pan-Americano a gente tem de ver."

Defesa e avaliação. Zé Roberto revela que na conexão do voo de retorno ao Brasil, em Frankfurt, o grupo fez avaliação da temporada. O técnico ficou satisfeito com o desempenho das levantadoras, em especial de Fabíola. "Teve muita coragem em determinados momentos do jogo", aponta. Para ele, só falta à jogadora mais experiência. Outra atleta elogiada foi a ponta-oposto Natália. "Ela é uma certeza."

Quanto à final, o técnico refutou a tese de que o fundamento passe foi o calcanhar de Aquiles do time. "Todas as seleção sofreram na recepção. A Rússia sofreu tanto que estava passando com duas. É um ponto a ser trabalhado sempre, a gente tem de ser mais efetivo. No tie-break o Brasil teve 93% de acerto e a Rússia com 64%. Não é qualquer time que faz isso."

Zé Roberto não nega que o desempenho de Gamova foi acima da média, mas, para ele, não foi a jogadora decisiva do time russo. "Quem, segurou o time o tempo inteiro no passe, no ataque, no saque, na recepção foi a Sokolova (que será sua atleta no Fenerbahçe, da Turquia)."

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