Meninos sem teto complicam Vasco

Em péssimas condições, alojamentos de 60 garotos da base do clube carioca são interditados pela Justiça

LEONARDO MAIA / RIO, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h05

Notificado na quinta-feira sobre a interdição dos alojamentos utilizados pelos jogadores das divisões de base, em São Januário, o Vasco estuda o que fazer para manter em atividade os cerca de 60 garotos que dormem na sede e que, de outra forma, não poderiam frequentar os treinamentos do clube. A Vara da Infância determinou, na terça-feira, o fechamento das instalações depois que três vistorias nos últimos quatro meses constataram o péssimo estado de conservação do local.

Os advogados cruzmaltinos analisam a melhor forma de recorrer da decisão. O Vasco tem cinco dias para apresentar melhorias nos alojamentos, ou mandar os meninos para suas casas.

O clube enfrenta problemas com a Justiça em relação a suas categorias de base desde a morte do adolescente Wendel Júnior Venâncio da Silva, de 14 anos, em fevereiro, em um centro de treinamento em Itaguaí, município da Baixada Fluminense.

Inspeções no local, alugado pelo Vasco, e na sede de São Januário, revelaram diversas irregularidades.

Depois de duas visitas ao estádio, em abril e maio, a Justiça deu prazo para os dirigentes apresentarem melhorias nos dormitórios, banheiros e refeitórios utilizados pela base. Camas sem colchão, fiação exposta, vazamentos e aparelhos de ar condicionado avariados são alguns dos problemas apontados.

Uma nova inspeção, em 4 de junho, constatou que a situação permanecia crítica e oferecia risco aos garotos. Um ônibus que fazia o transporte dos rapazes também estava em estado precário e foi tirado de circulação.

Mudança de CT. Com a interdição, que ainda tenta reverter, o clube pretende levar a estrutura da base para o CT de Itaguaí, que está em reforma. O Conselho Deliberativo vascaíno destinou R$ 4 milhões para a adequação do local e as obras estão previstas para terminar no fim deste mês.

Uma alternativa estudada pelos cartolas do clube, mas muito dispendiosa, seria levar os meninos para um hotel próximo a São Januário até que o centro de treinamento fique pronto.

O Estado tentou contato com o advogado Aníbal Rouxinol, vice-presidente jurídico do Vasco, mas a assessoria do clube informou que ele estava fora do País. Em seu escritório, a reportagem foi informada que Rouxinol estava internado com problemas de saúde.

A atenção do Ministério Público (MP) sobre as divisões de base vascaínas foi despertada pela morte de Wendel durante uma seleção de garotos realizada em Itaguaí. O garoto teve um mau súbito e não havia suporte médico no local para atender a uma emergência como essa.

A Justiça decretou o fechamento do CT em 18 de abril, mas o Vasco conseguiu uma liminar liberando o espaço no dia 10 de maio. O CT pertence ao empresário e ex-jogador Pedrinho Vicençote, que o alugou ao Vasco.

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