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Reginaldo Leme
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Menos punições

Duelos como os de Sergio Perez com Fernando Alonso e, depois, com Jenson Button não terem merecido nem mesmo a costumeira averiguação dos comissários da corrida do Bahrein me levam a acreditar que as coisas estão mudando na Fórmula-1.

REGINALDO LEME, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2013 | 02h03

Até o ano passado, provavelmente, a gente veria na tela da tevê o aviso de que as manobras dos pilotos X e Y estariam sob observação. Já deu para perceber que as decisões dos comissários têm sido mais brandas este ano e, segundo o amigo Michael Schimdt, repórter da revista alemã Automotor Und Sport, isso é consequência de uma reunião de Jean Todt, presidente da FIA, com chefes de equipes e até alguns pilotos.

Nessa reunião Todt ouviu dos próprios pilotos a reclamação de que eles andavam evitando disputar posições por receio de sofrer punição. Tudo porque o rigor dos comissários levou o campeonato passado a estabelecer um recorde no número de punições. O rigor é necessário na observação do piloto mal intencionado ou que não siga as normas, mas disputar posição é a essência da competição.

Apesar das duas vitórias da Red Bull em quatro etapas, continuo com a opinião de que a temporada não tem um carro se destacando dos outros. A Lotus tem se mostrado mais equilibrada, mas por ter o menor orçamento entre as equipes de ponta (cerca de 40% menos) ainda depende da constância de Kimi Raikkonen para o carro chegar inteiro ao final.

Nas mãos de Romain Grosjean o mesmo carro só chegou ao pódio uma vez. Nas outras, foi 10.º, 6.º e 9.º. Kimi ganhou na estreia, chegou em 2.º na China e Bahrein e foi 7.º na Malásia. O finlandês é o cara deste início de campeonato.

Se o domínio da Red Bull na Malásia foi absoluto, já na segunda vitória de Vettel (Bahrein) a fragilidade dos rivais ajudou.

A Mercedes não repete em corrida o que faz em treinos, e a Ferrari teve um fim de semana desastroso, com Alonso sem poder usar a asa móvel e Massa com dois pneus furados.

Agora vem a pista em que todos fizeram a preparação para o campeonato até duas semanas antes da abertura do Mundial (Barcelona). Será interessante a comparação.

Naquela época o carro mais equilibrado já parecia ser o da Lotus, com a Ferrari bem, a Red Bull dando pinta de esconder o jogo e a Mercedes surpreendentemente veloz em uma ou outra volta. Alguma diferença do que se viu até agora?

A Pirelli está gostando da influência da estratégia nas corridas e, por isso, com a concordância das equipes, trocou o pneu macio usado no ano passado em Barcelona pelo médio.

Portanto, o GP da Espanha terá pneus duros e médios, mesma combinação usada em 2013 na Malásia.

Já foram escolhidos também os dois tipos para Mônaco (macio e supermacio) e Canadá (médio e supermacio).

Stock. Dando um tempo na F-1, neste fim de semana estou com a Stock Car em Tarumã. Curioso é que, depois de ver no Bahrein pilotos e engenheiros da Fórmula-1 preocupados com o desgaste dos pneus, encontro a Stock com a mesma preocupação. Aqui também o segredo para se dar bem na corrida é poupar pneu.

Com um asfalto bastante abrasivo da pista de Tarumã e o surpreendente calor que faz em Porto Alegre, os pneus vão sofrer muito na corrida, especialmente o traseiro direito. Coincidentemente foram dois pneus traseiros direitos que furaram no carro de Felipe Massa no GP do Bahrein.

Foi no autódromo de Tarumã, 34 anos atrás (dia 22 de abril de 1979), que nasceu a Stock Car no Brasil.

Na época, com um grid formado por dez carros. Hoje a categoria está entre as mais importantes de carros de turismo do mundo, tem um grid de 34 carros e os melhores pilotos do País.

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