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Mera formalidade

Em poucas horas, neste sábado, metade da possibilidade de zebras no Paulistão foi para o brejo. Corinthians e Santos não precisaram suar demais a camisa para despachar, sem dó nem piedade, qualquer pretensão de Red Bull e São Bento. Os dois grandes cumpriram formalidade da tabela, divertiram o público e estão nas semifinais. A tarefa hoje cabe ao São Paulo, diante do Audax. Amanhã, será a vez do Palmeiras contra o São Bernardo.

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2016 | 06h11

Não há desprezo para o trabalho digno do Red Bull, que em certas paragens é chamado apenas de RB Brasil. Cumpriu trajetória bonita na fase de grupos, mas teve a infinita desventura de topar com o Corinthians – e em Itaquera! E diante de 40 mil pessoas! E contra um rival embalado.

Não havia escapatória, e a armadilha de Tite e rapaziada ficou evidente desde o apito inicial. O time que teve a melhor campanha na etapa anterior derrubou o Touro em ritmo de treino, com o perdão do lugar-comum. Com força máxima, mostrou de cara quem mandava na partida, se impôs na bola e nos gols – dois em cada tempo, quatro total, na medida justa para a diferença de qualidade que havia em campo.

Estadual faz tempo não serve de parâmetro para avaliar nível de competitividade; todos sabemos disso. No entanto, não há como negar a impressionante e veloz reconstrução alvinegra, e com competições em andamento (coloque-se aí a Libertadores). Tite perdeu meio grupo titular, entre dezembro e janeiro, e ainda assim moldou uma equipe equilibrada. Não é sorte nem milagre; o nome disso é competência, qualidade de causar inveja a treinador de seleção sem lastro.

Como bonito e merecedor de elogios é o trabalho de Dorival Júnior no Santos. Com menos dinheiro e menos badalação do que o Corinthians, igualmente apresenta esquadra corajosa, com harmonia, de jogo leve, agradável e letal. A vítima da vez foi o São Bento – e para tanto bastou um tempo, o primeiro, com os gols de Vítor Bueno.

O Santos até agora mantém o extraordinário aproveitamento na Série A doméstica nestes anos 2000. No período, é o maior frequentador de semifinais e de decisões. Caminha para referendar o roteiro. E, igualmente interessante, prepara-se para bom papel no Brasileiro e na Copa do Brasil.

Domingueira. A dupla de grandes que falta para tentar a sorte – São Paulo e Palmeiras – chega com ânimo e estratégia diferentes. Os tricolores empolgaram-se com a vitória diante do River argentino, no meio da semana, mas têm o The Strongest, na Bolívia, para consolidar classificação na Libertadores. A tarefa no Estadual é valiosa, claro; porém, o objetivo maior é a sequência no torneio sul-americano.

O Palmeiras surrou o River uruguaio, o que não refrescou coisa alguma, pois caiu fora Libertadores. O Paulista sobra-lhe como prêmio de consolação e, ao mesmo tempo, vira obrigação avançar até a final. Tropeço contra o São Bernardo só servirá para abalar mais a autoestima verde.

Por isso, ficou clara a intenção de Cuca apelar para a investida total. Assim como Dorival, usará o jogo de amanhã e, talvez, os outros três, como preparação para o Brasileiro. E, mais adiante, para a Copa do Brasil.

Edgardo Bauza recorre para a manjada tática do mistério antes da visita ao Audax. O argentino tende a mexer no time pela enésima vez desde que chegou, com a evidente intenção de poupar titulares para a parada dura na altitude de La Paz. Em pouco tempo de Brasil, constatou a obviedade de que a competição continental tem prioridade sobre a doméstica. Se puder aguentar-se nas duas frentes, tanto melhor. Caso contrário, Libertadores e pronto.

O São Paulo percebeu, diante do River, que tem condições de superar-se. Por que, então, não manter o nível em casa? A oportunidade surge diante do Audax. Taí a chance de usar o clube de Osasco como sparring e alavanca para embicar de vez no rumo de vitórias e conquistas. Mas zebras passeiam no futebol...

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