Mercado livre. Povo, nem tanto

Até o Exército está subordinado ao PC

O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

A China aderiu à globalização e abraçou com voracidade as leis de mercado, mas não tem planos de mudar o sistema político que concentra o poder nas mãos de seu Partido Comunista. Os poderosos chineses querem provar ao mundo que uma economia capitalista pode sobreviver sem as instituições políticas que caracterizam o mesmo sistema no Ocidente, como liberdade de imprensa, separação de poderes e império da lei.Sempre que pode, o presidente Hu Jintao repete que a democracia nos moldes ocidentais seria um desastre para seu país.Não há uma divisão clara entre o Partido Comunista e o Estado chinês e todos os dirigentes do país ocupam cargos de comando na organização. Hu, por exemplo, é o secretário-geral do PC, cargo considerado de maior prestígio que o de presidente da China.Mas o principal sinal da supremacia do partido vem de seu controle sobre as Forças Armadas. O Exército de Libertação Popular não é subordinado ao Estado chinês, mas ao partido, o que mostra a falta de disposição dos comunistas de realizar qualquer mudança que ameace sua continuidade no poder.O PC chinês decidiu iniciar as reformas econômicas na China 11 anos antes da queda do Muro de Berlim. Não por acaso, ele sobreviveu à débâcle do bloco soviético e se mantém como o maior movimento político do mundo, com 74 milhões de filiados. Apesar de formalmente a China ter outros oito partidos, o país está submetido a um sistema de partido único, no qual não são admitidos desafios à supremacia comunista.O culto à personalidade que marcou os quase 30 anos de domínio de Mao Tsé-tung foi substituído por uma gestão quase tecnocrata, na qual as decisões tendem a ser coletivas. Apesar de ele ter sido líder incontestável da China durante quase duas décadas, até sua morte em 1997, Deng Xiaoping é uma imagem virtualmente ausente dos espaços públicos do país.Com temor de que se repita algo semelhante à Revolução Cultural (1966-1976), na qual a veneração a Mao foi levada ao extremo, o partido combate com vigor qualquer forma de personalismo.Representado nas figuras de Hu e do primeiro-ministro, Wen Jiabao, o poder é de fato exercido por um colegiado de nove pessoas. Mais poderosos entre os chineses, esse grupo integra o Comitê Permanente do Politburo, uma reminiscência do período soviético que designa o Escritório Político do partido.

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