Mergulho no frio da Rússia para chegar a top ten

Lara e Nayara passam 10 dias treinando com as tricampeãs olímpicas em busca de uma colocação inédita na Olimpíada

AMANDA ROMANELLI, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2012 | 03h04

Com o objetivo de se firmar entre os dez melhores duetos na Olimpíada de Londres, a dupla brasileira do nado sincronizado, Lara Teixeira e Nayara Figueira, passou dez dias no mundo ideal - ainda que o cenário fosse branco, com a neve inclemente, e a temperatura passasse dos 20 graus negativos. Foi em um centro de treinamento modelo, perto de Moscou, que as atletas puderam ver o nível de excelência da Rússia tricampeã olímpica.

O convite partiu da equipe russa, algo inédito, e foi restrito ao dueto do Brasil. A viagem só terminou pouco antes do carnaval. Lara e Nayara, acompanhadas da técnica Andrea Curi e da diretora Monica Rosas, foram ciceroneadas por Tatiana Pokrovskaya, técnica da Rússia que já treinou o Brasil algumas vezes.

"Há dez anos as russas vêm para o Brasil e treinam no verão. Quando estão aqui, são muito bem tratadas. Então, queriam retribuir", diz Andrea. "O convite surgiu no ano passado, quando a Tatiana veio para uma clínica. No meio do treino, ela já tinha falado: 'Vocês são boas, estou aqui só para acrescentar'. Nessa empolgação dos elogios, ela disse que queria a gente lá na Rússia dessa vez", recorda Lara.

O mais marcante foi conhecer a estrutura de que o time russo usufrui. Lara e Nayara foram recebidas em um CT novo, chamado Lake Krugloye, que abriga também as equipes de natação, saltos ornamentais, ginástica artística e esgrima. No mesmo lugar estão os equipamentos esportivos e as acomodações, onde vivem os atletas.

A instalação faz parte do planejamento de 10 anos do país para o esporte - a Rússia receberá a Universíade em 2013, a Olimpíada de Inverno em 2014 e a Copa do Mundo em 2018. Segundo dados do governo russo, serão investidos 2 bilhões (R$ 4,6 bilhões) apenas em infraestrutura.

"Ficamos maravilhadas. Os quartos parecem de hotel e, em dois minutos de caminhada, estávamos na piscina. A comida também é toda certinha", diz Nayara. "As russas abriram esse centro para a gente e pudemos ver o que elas fazem para ser campeãs", explica Lara.

O que elas fazem, ficou claro, é trabalhar muito. Os treinos começavam às 8 horas e só terminavam às 22 horas. E não só na água. Na programação, estão trabalhos para flexibilidade, força e até aulas de dança. "Elas nunca ficaram em um período de concentração como esse", diz Andrea. "A piscina é só para o nado, com medidas oficiais, temperatura do jeito que você quiser. É o que tem de melhor."

Rumo a Londres. O período na Rússia serviu para incrementar o trabalho das brasileiras, que buscam a segunda participação nos Jogos - na estreia, em Pequim/2008, a dupla ficou em 13.º lugar, a uma posição da final, após oito meses de parceria. A vaga para Londres será definida no evento-teste a ser realizado na própria capital inglesa, entre 18 e 22 de abril. Os 19 melhores duetos vão para a Olimpíada.

Lara e Nayara não devem ter problemas para conseguir a vaga. A dupla tem oscilado entre o 10.º e o 12.º lugares. Acreditam que o "top ten" é possível - e essa seria a melhor posição olímpica do Brasil na modalidade.

"A gente amadureceu muito como atleta, como dueto. Sabemos nossa identidade, conseguimos mostrar lá fora quem somos e o que queremos alcançar", afirma Lara. "Agora temos um objetivo mais certo. A participação em Pequim foi meio no susto."

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