Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

Mesmo com decepções, Brasil bate recorde de pódios

Desempenho dos brasileiros superou a expectativa do COB de repetir as marcas de Atlanta e Pequim

AE, Agência Estado

12 de agosto de 2012 | 16h26

O Brasil não conseguiu em Londres sua melhor participação olímpica, mas quebrou o recorde de pódios. Se a delegação brasileira conquistou dois títulos a menos do que teve nos Jogos de Atenas, em 2004, ao menos deixou a capital britânica com um total de 17 medalhas (três de ouro, cinco de prata e nove de bronze). O desempenho superou a expectativa do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), que era de repetir as 15 medalhas de Atlanta/1996 e Pequim/2008 - as maiores marcas até então.

A performance dos atletas brasileiros em Londres seguiu um padrão: os favoritos decepcionaram e quem não estava cotado como favorito surpreendeu. A natação teve dois exemplos desses extremos. Maior atleta brasileiro da história das piscinas, Cesar Cielo não conseguiu repetir os títulos olímpico e mundial nos 50 metros livre e ficou com o bronze. Já Thiago Pereira desbancou ninguém menos do que o fenômeno norte-americano Michael Phelps para conquistar a prata nos 400 metros medley, prova que não é sua especialidade.

O vôlei brasileiro repetiu a tradicional eficiência e faturou quatro medalhas em Londres, em meio a alegrias e frustrações. Na areia, Alison/Emanuel e Juliana/Larissa não confirmaram a condição de favoritos e ficaram com a prata e o bronze, respectivamente. Na quadra, a seleção feminina começou o torneio de forma irregular, mas cresceu de produção e conquistou o bicampeonato com uma vitória espetacular diante dos Estados Unidos. Já a equipe masculina perdeu o ouro pela segunda vez seguida, mas, desta vez, com requintes de crueldade: na final, chegou a estar vencendo a Rússia por 2 a 0 e a ter dois match points no terceiro set, mas sofreu uma virada histórica.

Assim como o vôlei, o judô também conquistou quatro medalhas, dentro do que a Confederação Brasileira de Judô havia planejado. A judoca Sarah Menezes foi responsável pelo primeiro ouro do Brasil em Londres, enquanto Felipe Kitadai, Rafael Silva e Mayra Aguiar ficaram com o bronze. Principal nome brasileiro na modalidade, Leandro Guilheiro era favorito na categoria até 81kg, mas foi eliminado nas quartas de final e perdeu a chance de ser medalhista pela terceira Olimpíada seguida.

A outra medalha dourada do Brasil em Londres veio na ginástica artística, de forma inédita. Arthur Zanetti venceu a disputa nas argolas e compensou mais uma atuação decepcionante da principal estrela da equipe. Assim como já havia ocorrido em Pequim, Diego Hypólito caiu na prova do solo, mas, desta vez, não conseguiu nem ao menos classificação para a final. Daiane dos Santos, outro grande nome da modalidade, despediu-se da seleção brasileira com desempenho discreto e também não chegou à final do solo.

A maior surpresa do Brasil nos Jogos de Londres foi o boxe, que conseguiu três medalhas e derrubou um jejum de 44 anos sem pódios, desde o bronze de Servílio de Oliveira na Cidade do México/1968. Esquiva Falcão Florentino foi o primeiro pugilista do País a chegar a uma final olímpica e, numa decisão polêmica com o japonês Ryota Murata, ficou com a prata na categoria até 75kg. Seu irmão mais velho, Yamaguchi Falcão Florentino, ganhou o bronze na categoria até 81kg. Na disputa feminina, estreante no programa da Olimpíada, Adriana Araújo também conquistou o bronze, na categoria até 60kg. A nota triste foi a eliminação logo na estreia do brasileiro Everton Lopes, campeão mundial da categoria até 64kg.

A vela manteve a tradição de pódios olímpicos para o Brasil e trouxe o bronze com Robert Scheidt e Bruno Prada na classe Star - de qualquer maneira, a expectativa era de que eles conseguissem o ouro. Já o pentatlo moderno entrou na galeria das modalidades brasileiras que subiram ao pódio olímpico com o inédito bronze de Yane Marques na última competição em disputa em Londres.

Duas modalidades não trouxeram medalha, mas tiveram sucesso de crítica. O handebol feminino terminou a primeira fase como líder de seu grupo, com quatro vitórias em cinco partidas, e caiu nas quartas de final, diante da Noruega, que se tornaria bicampeã olímpica. Já o basquete masculino, que voltou aos Jogos Olímpicos depois de 16 anos, saiu da fase inicial como vice-líder de seu grupo, com direito a vitória sobre a Espanha, mas parou nas quartas de final diante da Argentina, seu costumeiro algoz. Ainda no basquete, a frustração ficou por conta da equipe feminina, que perdeu quatro dos cinco jogos que disputou e se despediu ainda na primeira fase.

O badalado futebol brasileiro colecionou tropeços na Olimpíada. Mesmo com a estrela Marta, a seleção feminina confirmou sua fase decadente e pela primeira vez não chegou à semifinal olímpica - parou nas quartas de final, diante do Japão. Já o time do técnico Mano Menezes foi mais à frente e voltou a disputar uma decisão depois de 24 anos, mas perdeu o ouro para o México com atuação decepcionante de Neymar e companhia.

O atletismo ficou pela primeira vez sem medalha depois de quatro edições de Jogos Olímpicos. Prejudicada por uma lesão no quadril, Maurren Maggi não conseguiu defender o título no salto em distância conquistado em Pequim e nem sequer foi à final em Londres. A campeã mundial Fabiana Murer também foi eliminada ma fase classificatória do salto com vara e culpou o vento pela má atuação. O melhor resultado foi na maratona, em que pela primeira vez os três brasileiros cruzaram a linha de chegada entre os 15 primeiros colocados: Marilson Gomes dos Santos ficou em quinto, Paulo Roberto Paula em oitavo e Franck Caldeira em 13º.

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