Mesmo com suspeita de bactéria, Rio-2016 fará evento de hipismo

Teste no Centro Olímpico de Deodoro, dia 6, não será cancelado

CARINA BACELAR, Estadão Conteúdo

23 de julho de 2015 | 14h33

O Comitê Rio-2016 anunciou nesta quinta-feira que o evento-teste no Centro Olímpico de Hipismo no bairro de Deodoro, marcado para começar em 6 de agosto, não será cancelado. De acordo com o comitê, as provas serão realizadas mesmo com a suspeita de contaminação de cavalos por mormo, uma doença bacteriana transmitida por contato direto entre animais ou suas secreções. Por causa dela, 565 equinos que ocupavam instalações da Vila Militar foram submetidos a exames para detectar a doença. Os resultados só sairão em outubro.

A área onde serão realizadas as competições no mês que vem está no chamado vazio sanitário, ou seja, uma região isolada de outros animais, há 180 dias, segundo protocolo da Federação Internacional de Hipismo. Pelo menos 13 cavalos, todos do Brasil, já tiveram participação no evento confirmada. Apesar de preocupação com a possibilidade de um surto da moléstia entre os animais no Rio, a organização está convicta de que não há chances de uma possível contaminação dentro da área de competição, conforme apurou a reportagem.

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) obteve junto à União Europeia autorização de "regionalização" da área de competições em Deodoro. O procedimento "destaca" a região de competições do resto do Estado e já foi adotado em outros eventos de hipismo no País. Com ela, as divisas estaduais serão fechadas, e os animais, retidos no Brasil, caso algum caso da doença seja constatado durante os Jogos Olímpicos.

O mormo é uma doença bacteriana de difícil diagnóstico, assintomática para cavalos com boas condições de saúde. A bactéria Burkholderia mallei não sobrevive no ambiente externo, dizem veterinários. Os animais contaminados devem ser sacrificados e incinerados, de acordo com regras do Ministério da Agricultura.

O ministério ainda não divulgou nenhum resultado dos exames realizados nos cavalos mantidos em Deodoro. As análises são realizadas em Recife, no único laboratório do Brasil especializado no Western blotting, o exame mais moderno existente no País para detectar a bactéria Burkholderia mallei. A investigação pretende elucidar se animais da Vila Militar, onde fica o Centro Olímpico, foram contaminadas por um cavalo da Polícia Militar do Espírito Santo que esteve lá até novembro de 2014.

Em nota, o Mapa afirma que as instalações dos jogos e do evento-teste "estão sob total vazio sanitário e rigorosos cuidados de biossegurança". O órgão declarou ainda que "está desenvolvendo um conjunto de atividades para salvaguardar a sanidade dos equinos que estarão nas competições olímpicas".

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