Mesmo sem medalha, judocas celebram

Liberdade. Esta foi a palavra mais pronunciada pelos judocas que desembarcaram nesta terça-feira em São Paulo, depois de disputarem o Mundial de Munique, na Alemanha. Ainda que tenham voltado sem medalha, os atletas disseram estar aliviados e felizes com o novo trabalho da Confederação Brasileira da modalidade - a CBJ.João Derly, de 20 anos, resumiu o sentimento de todos os participantes brasileiros na competição, referindo-se ao fim da "era Mamede" no comando do judô brasileiro, após 21 anos: "Agora fomos tratados como atleta. O clima era muito bom, de liberdade.?Satisfeito com todos os detalhes, o que incluiu a hospedagem em Munique com direito a um cardápio especial feito por uma nutricionista, Joãozinho ficou na sétima posição da categoria até 60 kg. "O que nos prejudicou mais foi a troca de direção. Tivemos de cumprir o calendário que foi estipulado pelos Mamede. Mas daqui para a frente, se o trabalho da CBJ continuar assim, a tendência é a gente ganhar medalhas daqui a dois anos", avaliou.Um dos que acompanharam a delegação foi Aurélio Miguel, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul/88 e bronze em Atlanta/96. "Faltou planejamento para os judocas, mas não havia como mudar por causa da transição de diretoria. Eu mesmo estava treinando para competir no Mundial, mas quando vi que não ia conseguir uma boa preparação desisti. Agora temos pessoas que entendem, gente que já pisou no tatame e sabe que lutar dá um friozinho na barriga... É o entrosamento que faltava, apesar de eles terem tido apenas três meses para dar continuidade no trabalho da antiga diretoria", disse o atleta-símbolo da briga dos colegas por seus direitos contra o comando dos Mamede.Aurélio não perdeu a chance de fazer mais uma crítica, mesmo levando em conta as conquistas do período em que os Mamede estiveram no comando da CBJ (nove medalhas, entre Mundiais e Olimpíadas). "Se nestes 20 anos o Brasil ganhou nove medalhas, nos próximos dez anos pode conquistar 20..."Fabiane Hukuda, que foi campeã mundial júnior da categoria até 52 kg no ano passado, voltou com a sétima colocação em sua categoria. "Foi a melhor viagem que já fizemos porque tivemos liberdade, o que não tínhamos. Não nos preocupamos com técnicos porque estávamos entrosados. Isso é só o começo do trabalho da CBJ. Agora só é preciso mudar o calendário, porque o Mamede marcava seletiva para campeonatos em janeiro, época em que devíamos estar descansando. Aí a gente já começava o ano toda estourada..."Os judocas Daniel Hernandes e Priscilla Marques, da categoria absoluto, foram os melhores brasileiros na competição: conquistaram quintos lugares. "O que mais gostei foi do diálogo que dificilmente tínhamos com técnicos e comissão. Em Munique, apareceram equipes interessadas em vir ao Brasil fazer intercâmbio, como foi o caso da França. Isso mostra que temos técnica e que competimos bem, mesmo que a gente não tenha trazido medalhas", disse Priscila."O que a gente viveu com o pessoal foi muito bom, como nunca tinha acontecido. Com a repressão de antes não dava nem para reclamar do que estava ruim", emendou Daniel.Mas quem realmente teve problemas foi Edinanci Silva, atleta da categoria até 75 kg, que virou o joelho direito e deve fazer exames nesta quarta-feira para avaliar a gravidade da lesão. "Se realmente rompi o ligamento cruzado, terei de ficar no mínimo sete meses parada. Se não for, acho que me recupero com uns dois meses de fisioterapia", contou a atleta, que também confia no trabalho do presidente da CBJ, Paulo Wanderley. "São novos tempos, estamos recomeçando... Acho que nos faltou sorte. De resto tivemos tudo de bom que um atleta poderia ter."

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