Messi e Neymar

O Santos joga agora de manhã com o Kashiwa e pode ser que o leitor esteja lendo este texto depois da partida, mas é bem provável que essas comparações entre Messi e Neymar que já estão sendo feitas o serão ainda mais daqui para a frente, à medida que nos aproximamos da Copa de 2014. Messi, afinal, tem apenas 24 anos, não conseguiu brilhar muito na África do Sul e poderá estar em seu apogeu no Mundial a ser disputado no Brasil. Para Neymar, que terá 22, será seu primeiro, mas nem por isso cercado de menos expectativa, até porque ele próprio, seu pai e o Santos situaram o evento como referência cronológica. Além disso, ambos estão entre os finalistas do gol mais bonito do ano a ser eleito pela Fifa. Logo, um eventual confronto entre ambos no domingo, no Japão, não encerrará o assunto. E a sorte é nossa, espectadores.

DANIEL PIZA, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2011 | 03h08

Tenho visto um curioso sinal invertido na velha querela entre brasileiros e argentinos: para alguns, Messi seria mais parecido com Pelé, com sua rapidez e artilharia, a maneira como enfileira adversários com a bola grudada ao pé, e Neymar com Maradona, pelos dribles e efeitos, pela capacidade de surpreender no espaço de um tufo de grama. Os números apontam para isso, já que Messi tem ganhado título atrás de título num clube cheio de craques e mantido uma média de quase um gol por partida, coisa rara no futebol atual. Neymar não tem a mesma eficiência, até porque cai mais pelos lados do campo, embora tenha feito gols decisivos para os troféus que acumula tão precocemente, como o da Libertadores. Mas essa analogia com os dois maiores jogadores de todos os tempos para por aí. Pelé é inigualável - com 17 anos dava chapéu em final de Copa - e Maradona era um fantasista que Neymar não chegará a ser.

Vejo mais semelhanças do que diferenças. Os dois são leves, lisos, gostam de conduzir a bola em ziguezague até a área, dar um corte curto no zagueiro e bater seco, colocado, nos cantos inferiores da trave. Não são muito de chutar de longe nem de cabecear. Messi é mais ereto e cai muito menos; apesar de pequeno, é encorpado e mantém o equilíbrio na corrida sem perder a capacidade de sair para os dois lados. Também é mais altruísta, um campeão de assistências. Neymar joga com a espinha mais inclinada, no limite do desequilíbrio, e por isso pode ser deslocado com uma trombada; ao mesmo tempo, essa mesma elasticidade permite que emita sugestões contrárias ao que vai de fato fazer. Seu gol listado pela Fifa, para mim o merecedor do prêmio, é uma maravilha de velocidade e improviso. A meia lua que dá no último zagueiro com o pé esquerdo foi uma solução encontrada na pressão do instante, um prodígio de pensamento rápido. E está mais e mais maduro, dando menos importância para firulas ou simulação de faltas. Só não pode se achar pronto.

Se fossem pintores, Messi seria Matisse, com suas curvas concisas, e Neymar seria Miró, de formas livres e lúdicas. Que a galeria aumente.

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