Messi surpreende espanhóis e leva a taça. Marta é a rainha pela 5ª vez

O meia argentino do Barcelona supera os favoritos Iniesta e Xavi, campeões mundiais na África, e conquista o bi. No feminino, talento da brasileira é imbatível

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2011 | 00h00

Em um resultado considerado por muitos - entre eles o próprio vencedor - como surpreendente e que frustrou boa parte da torcida espanhola, o craque argentino Lionel Messi ganhou, pela segunda vez consecutiva, o troféu de melhor jogador do mundo da Fifa. No mesmo evento, realizado ontem, em Zurique, o Barça saiu consagrado como a base da seleção mundial. Entre as mulheres, a brasileira Marta, do Santos, venceu o prêmio pela quinta vez seguida e se manteve absoluta em seu reinado como a melhor jogadora de futebol do planeta.

Na votação mais apertada da última década, Messi deixou a Espanha na fila de mais de 50 anos ao superar os favoritos Iniesta e Xavi na eleição realizada com votos de treinadores, capitães de seleções e jornalistas. A expectativa de todos era de que o título mundial fizesse com que o prêmio ficasse com algum dos dois espanhóis. O argentino não chegou a brilhar nos campos sul-africanos, apesar de ter um ano espetacular no Barcelona, onde cansou de desequilibrar partidas. Graças às suas jogadas, o time catalão venceu a Liga e a Copa da Espanha de 2010 e hoje é líder do campeonato.

O próprio Messi se mostrou surpreso no momento do anúncio. "Eu sou o primeiro a ficar surpreso. Eu e todos descartavam meu nome", admitiu. Entre os votos dos técnicos, o meia-atacante argentino foi o vencedor, com 9,7%, seguido por 5,3% de Iniesta. Os capitães de seleções também votaram em Messi, assim como o técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, e o atacante Robinho. A imprensa internacional escolheu Sneijder como o melhor do mundo, seguido por Iniesta.

Jogadores espanhóis não esconderam a insatisfação com o resultado. "Estou decepcionado e todos os espanhóis também estão", admitiu o goleiro do Real Madrid, Iker Casillas. O troféu de melhor jogador do mundo nunca foi dado a um espanhol. E apesar do título na Copa do Mundo, essa realidade não mudou. Além de perder entre os atletas, a Espanha foi derrotada também na eleição de treinador. Vicente Del Bosque foi superado pelo português José Mourinho.

Coração e pulmão. Iniesta e Xavi, para muitos, têm a trajetória que resume essas últimas conquistas da Espanha. Ambos eram vistos como o coração e pulmão do Barça e da seleção campeã do mundo. Mas a votação premiou o craque e o talento que transforma partidas. "Teria sido bom ver o título com Xavi, pelo que fez e por já estar no final de sua carreira. Mas o prêmio está em ótimas mãos com Messi, que é mesmo um craque", afirmou Mourinho.

Festa catalã. Apesar da surpresa, o evento acabou se transformando quase numa festa privada do Barcelona e foi usado por muitos ainda para insistir sobre a necessidade de que os grandes clubes europeus formem jogadores, e não apenas os contratem por salários milionários. Dos onze melhores do mundo na seleção Fifa, seis jogam no Barça. Pique, Puyol, Iniesta, Xavi e Messi foram formados nas escolinhas do clube, contra uma média de mais de 50% das equipes de primeira divisão da Europa formadas por jogadores estrangeiros. "Esse é um prêmio a todos que cresceram jogando em campos de terras e em escolinhas. Temos de acreditar nas escolinhas", afirmou Vicente del Bosque, treinador da seleção espanhola.

Penta. Se Messi foi a surpresa, a brasileira Marta completou ontem o quinto ano consecutivo como a melhor jogadora do mundo. A marca estabelece um recorde absoluto em relação às conquistas individuais no futebol. A alemã Birgit Prinz, que ficou em segundo, atacou a forma de escolha da Fifa. "É difícil julgar cada jogadora, pois não atuamos de forma internacional de maneira regular. Não se pode avaliar uma jogadora em seu ano todo", atacou Birgit.

Marta aceitou a ideia de que haja uma maior acompanhamento da atuação das jogadoras pelo mundo e admitiu que há muitas outras jogadores no Brasil que mereceriam estar entre as três primeiras. Mas rejeitou a ideia de que as três finalistas e seu prêmio sejam injustos. "Estamos aqui porque merecemos", afirmou.

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