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Meta do Brasil é 'zero' atleta envolvido em doping em 2016

Laboratório de 1º mundo é 'reforço' para agência antidoping

Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

13 de janeiro de 2016 | 12h00

Atualizada às 19h25

Além de uma boa colocação no quadro de medalhas na Olimpíada do Rio, o Brasil tem uma meta ambiciosa: não ter atletas brasileiros envolvidos em casos de doping durante a competição. O grande reforço recebido pelo País nessa "modalidade" foi o recredenciamento do Laboratório Brasileiro de Controle de  Dopagem (LBCD) pela Agência Mundial Antidopagem (Wada, sigla em inglês). Agora, não apenas temos um dos mais modernos centros de avaliação para testes do mundo, mas estamos prontos para preparar nossos atletas para "jogar limpo".

A avaliação é do secretário nacional da Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem, Marco Aurélio Klein. A entidade estabeleceu que não é aceitável ter membros da delegação brasileira conquistando medalhas no Rio e que, posteriormente, ilegalidades sejam comprovadas. E parte desse trabalho só é possível graças ao LBCD. "Hoje são 32 laboratórios credenciados pela Wada (após a suspensão do laboratório russo devido as denúncias de irregularidades na equipe de atletismo do país), três no Hemisfério Sul. E eu estive nas duas situações (com e sem laboratórios credenciados), já que atravessamos o recredenciamento e eu penso: 'pobre do meu colega que precisa mandar amostras para fora do País'", afirma Klein.

"Ter um centro como o LBCD no Brasil nos permite ter uma agilidade mundo grande. Permite um número maior de controles, já que mandar amostras para fora do País é muito caro", explica o secretário. A ausência de um laboratório brasileiro também praticamente inviabilizaria exames de sangue (devido ao tempo do transporte) e até prejudicaria o direito de defesa de atletas cujos exames dessem positivo, que podem estar presentes na abertura da contra-prova.

Com o LBDC em pleno funcionamento, os esportistas brasileiros já estão sendo testados. Um grupo alvo, de cerca de 250 esportistas de alto rendimento participam de um intenso programa de controle, fora de competição, tendo a obrigação de estar diariamente à disposição para participarem de exames surpresa. "Nós terminamos o ano com mais de 40% dos testes feitos fora de competição e nossa meta para 2016 é de 65%", conta Marco Klein. 

RECREDENCIAMENTO

O LBDC foi descredenciado pela Wada em 2013, por conta de divergências entre análises enviadas e voltou a ser autorizado pela agência em 2014. Fazendo parte da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a reforma que permitiu tal avanço no controle de dopagem no Brasil foi financiado pelo Ministério do Esporte e pelo Ministério da Educação. Só em equipamentos se gastou o equivalente a R$ 30 milhões, segundo dados da instituição. Hoje é considerado um dos mais modernos do mundo. 

"Agora com um laboratório inteiramente novo, equipado, com pessoal concursado e treinado, a capacidade de identificação do LBCD - LADETEC volta a ser equivalente (e em alguns casos até melhor) que a dos demais laboratórios acreditados pela Agência Mundial Antidoping", conta o coordenador do Laboratorio de Apoio ao Desenvolvimento Tecnologico (LADETEC) e os Laboratórios Associados LBCD, Profº. Dr. Francisco Radler de Aquino Neto.

Durante a Olimpíada de 2016 funcionará 24 horas por dia para atender a demanda da competição. "O grande desafio será a demanda olímpica, quando um laboratório recebe um volume de trabalho 10 vezes maior que sua capacidade rotineira", afirma o Profº Radler.

"O LBCD é um dos maiores legados dos Jogos Olímpicos no Brasil. A ABCD é uma política do Estado brasileiro na luta contra a dopagem no esporte. É completamente diferente de atitudes isoladas que existiam antes", defende o secretário nacional da entidade.

Além dos testes, a ABCD também trabalha preventivamente com os atletas. A entidade fornece todas as informações necessárias para que qualquer um que venha a medicar algum esportista avalie se a substância é proibida internacionalmente ou não. Além de um material impresso distribuído e da lista de substâncias proibidas, há uma ferramenta de busca no portal da instituição, que identifica remédios, tanto pelo nome comercial, quando pelo principio ativo.

"A meta estabelecida por nós da ABCD é zero atletas brasileiros envolvidos em doping. Porque quando você tem o olhar do mundo sobre o País que recebe os Jogos Olímpicos e Paralímpicos é um olhar sempre muito rigoroso", completa. 

 

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