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Meta dos americanos é atingir o topo

Estados Unidos investem pesado no futebol, com dois objetivos básicos: crescimento interno e ser sede da Copa de 2026

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2016 | 07h00

Os investimentos que os Estados Unidos têm feito fazem parte de um plano mais amplo para o futebol. O país pretende organizar a Copa do Mundo de 2026 e, em âmbito interno, quer desenvolver e fortalecer cada vez mais o esporte. O maior poder financeiro no futebol está, sem dúvida, com os clubes europeus. Mas, atualmente, os norte-americanos só não são a segunda maior potência porque a China decidiu gastar cerca de US$ 400 milhões (cerca de R$ 1,262 bilhão) em 2016 em seus times.

No entanto, na Fifa considera-se a possibilidade de os chineses frearem os investimentos. Já os planos nos EUA são ambiciosos, dentro e fora de campo. Nos últimos cinco anos, US$ 3 bilhões (R$ 9.46 bilhões) foram gastos nas cidades americanas apenas para construir ou reformar estádios e centros de treinamento. Os salários dos jogadores também aumentaram com a maior receita. Há três anos, apenas nove atletas da Major League Soccer (MLS) ganhavam mais de US$ 1 milhão (R$ 3,156 bilhões) em salários. Hoje, eles são mais de 20.

O salto e o sucesso do futebol norte-americano não ocorreram da noite para o dia. “Houve planejamento”, disse Sunil Gulatti, presidente da US Soccer – a Federação dos Estados Unidos. Um momento-chave foi a organização da Copa de 1994, que criou em uma geração de crianças nova possibilidade.

Hoje, as pesquisas apontam que o “soccer” é o segundo esporte mais popular na geração entre 12 e 24 anos. Entre os 44 milhões de descendentes de latino-americanos que vivem nos EUA, é o número 1. Dados da Associação de Colégios Públicos também indicaram que, em 2015, o futebol foi o esporte que mais adeptos atraiu. 

Tais tendências já começaram a ser traduzidas em audiências de TV. No Mundial Feminino, a final contou com uma audiência de 27 milhões de pessoas, equivalente ao que se registrou nas finais do campeonato de futebol americano entre universidades. TVs americanas passaram a comprar os direitos para transmitir campeonatos de todo o mundo e, hoje, o mercado dos EUA é o que mais oferece torneios nacionais à audiência.

A explosão do mercado americano tem sido cobiçada tanto pela Uefa como pela Conmebol. Clubes sul-americanos e europeus tentam convencer seus parceiros norte-americanos a sediar finais da Libertadores e mesmo da Liga dos Campeões. Mas, na semana passada, Sunil Gulatti indicou que sua política era a de apenas realizar partidas oficiais de clubes da sua região.

ARENAS CHEIAS

Nos estádios americanos, as arquibancadas têm registrado saltos importantes em termos de público. Nos últimos cinco anos, a quantidade de ingressos vendidos aumentou 30%. Atualmente, mais torcedores vão a uma arena para assistir futebol do que a jogos da NBA ou a NHL, a liga de beisebol.

Num ranking internacional, as partidas da MLS têm média de 21,6 mil pessoas, o que faz o torneio ser o sexto maior em público no mundo, superando o Brasileiro, o Campeonato Argentino ou a Ligue 1, na França. 

O time do Orlando City, por exemplo, tem média de 32 mil pessoas por partida e o clube chega a cobrar um depósito de US$ 75,00 (R$ 236) apenas para que o torcedor seja mantido em uma lista de espera.

No caso do New York FC, a média de público chega a 27 mil e antes mesmo de iniciar a participação nos torneios já haviam sido vendidos 15 mil pacotes para torcedores acompanharem o time durante toda a temporada.

Nas duas outras ligas que operam nos EUA, o público cresce, ainda que a média seja de 10 mil por jogo no caso da NASL (North American Soccer League) e 3,1 mil no caso da United Soccer League (USL), espécie de terceira divisão. Mas, mesmo nesse nível inferior, algumas partidas surpreenderam até os mais otimistas. O FC Cincinnati chegou a ter público de 23 mil pessoas em uma de suas partidas.

Em 2016, um total de 60 times profissionais competiram em torneios na América do Norte e os cartolas apontam que ainda existe espaço para crescer.  A diferença, porém, está ainda na renda. Hoje, o “soccer” acumula uma receita que é apenas 10% do que a NBA movimenta, em parte por conta dos contratos de publicidade. A esperança, porém, é de que uma eventual Copa do Mundo em 2026 nos EUA abra um mercado maior para o marketing.

FIFA É ALIADA

Na Fifa, a direção já fez sua parte para tentar garantir um Mundial na América do Norte em dez anos. Em suas reformas, a entidade anunciou que as duas últimas regiões que tenham organizado uma Copa não podem concorrer para 2026. Ou seja, Europa e Ásia ficarão de fora da corrida. Já a América do Sul sonha com o evento em 2030, entre Uruguai e Argentina. Ficariam como concorrentes dos EUA apenas Austrália e os países africanos. 

Outro desafio pode vir ainda da China, que tem feito fortes investimentos na contratação de estrangeiros e pode inflacionar os preços, dificultando para que equipes americanas saiam em busca de reforços.

Mas, com uma base cada vez maior de jogadores nacionais ou filhos de imigrantes latino-americanos, administradores americanos também consideram que essa pode ser uma oportunidade para garantir o espaço para criar “ídolos nacionais”, num país movido pelo orgulho patriótico de ter alguns dos maiores atletas do mundo.

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