'Meta é ter o espírito de Le Mans no Brasil'

Emerson Fittipaldi já ganhou quase tudo o que disputou. Foi o único piloto a vencer dois mundiais de Fórmula 1, um de Fórmula Indy e duas 500 Milhas de Indianápolis. Entra fácil em qualquer lista dos melhores do mundo. Apesar de ter vivido como poucos o automobilismo, ainda é capaz de sentir a mesma emoção de um garoto de sete anos ao percorrer um pit lane em dia de corrida.

Entrevista com

MARIO CAMERA / LE MANS, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2012 | 03h03

"Você viu como esses carros são lindos?'', perguntou o campeão diante dos bólidos estacionados nos boxes, horas antes da largada da 80.ª edição das 24 Horas de Le Mans.

Emerson está no circuito francês pela segunda vez (a primeira foi em 2006) para acertar os últimos detalhes das 6 Horas de São Paulo, da qual é promotor. A prova, em setembro, é uma das oito etapas do novo Campeonato Mundial de Endurance (CME). Ele falou ontem ao Estado sobre seus planos para a corrida, que será realizada em Interlagos.

Por que demorou tanto para vir a Le Mans?

Não sei. É uma prova que sempre esteve fora do meu calendário, tanto na época da F-1 quanto da Indy. Assim que eu parei de correr, pensei: 'Quero conhecer Le Mans'.

Como foi sua primeira vez no circuito das 24 horas?

Existem três corridas clássicas na história do automobilismo: Le Mans, Mônaco e Indianápolis. Le Mans é uma das mais antigas e tradicionais. Os carros aqui são lindos e, além de ser um festival de velocidade, é um festival para a família. Existe uma tradição dos pais trazerem os filhos. Você encontra tudo aqui: parque de diversão, loja, restaurantes, exposição de carros. Antes da corrida, tem uma parada de pilotos e carros antigos no centro da cidade que é muito legal. É esse espírito de Le Mans que a gente quer levar para o Brasil.

Como surgiu a ideia de incluir o Brasil no calendário do Campeonato Mundial de Endurance?

O Jean Todt, presidente da FIA, criou esse campeonato no ano passado e me chamou para ajudar a realizar a etapa brasileira. Ele me disse que achava que o Brasil tinha tudo a ver com a competição, por causa da tradição automobilística. São Paulo vai ser a única cidade do mundo a receber três grandes categorias do automobilismo: a Fórmula 1, a Indy e, agora, o Campeonato Mundial de Endurance. Isso é espetacular!

O traçado de Interlagos vai sofrer algum tipo de mudança para receber os carros da CME?

Não, o traçado de Interlagos vai permanecer igual. Está perfeito para receber os carros que correm aqui em Le Mans.

E quantos carros serão?

Quase 40 carros que disputam as 24 de Le Mans vão estar em Interlagos. Como é uma prova longa, durante as seis horas de corrida vamos ter vários outros eventos acontecendo paralelamente, dentro do autódromo. Queremos levar o espírito de Le Mans para São Paulo. Tenho certeza de que os fãs do automobilismo vão adorar ter esses carros tão sofisticados correndo no Brasil. São umas máquinas!

Alguma previsão de equipe brasileira correndo a prova?

Vamos tentar formar uma equipe de brasileiros. É um novo desafio que nós temos, para tentar vencer em Le Mans no ano que vem.

Le Mans tem a tradição de servir como plataforma de testes para novos componentes automobilísticos. Mas muitos ex-pilotos garantem que a tecnologia utilizada atualmente nos carros de corrida compromete o espetáculo, ao facilitar a vida do piloto, principalmente na F-1.

Essa evolução é algo natural. Hoje, aqui em Le Mans, essa tecnologia está principalmente voltada para a questão do combustível. Tem carro a álcool, a diesel, a gasolina e híbrido, elétrico. O futuro de Le Mans é muito parecido com o do carro de rua. Para os pilotos, é verdade que a parte eletrônica ajuda bastante. Mas, na hora da corrida, ainda é o piloto que faz um carro ganhar ou perder.

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