México e Porto Rico: os reis do ringue

Rivais tradicionais dominam a nobre arte nos EUA e seus pugilistas almejam lutar contra Pacquiao

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2011 | 00h00

A rivalidade entre México e Porto Rico no boxe é tão tradicional quanto Brasil e Argentina no futebol. Com a escassez de talentos entre os pesos pesados, a principal do pugilismo, os holofotes estão todos voltados para as categoria mais leves. E é exatamente nelas em que os latinos mais se destacam. E não é de hoje. Décadas atrás Edwin Rosario, Wilfredo Gomez, Hector Macho Camacho, Felix Trinidad travaram duelos épicos com os mexicanos Julio Cesar Chavez, Salvador Sanchez, Lupe Pintor e Jose Luis Ramirez.

Atualmente, não é diferente. O nível é excepcional dos combates quando lutadores destes dois países sobem no ringue. Os porto-riquenhos Miguel Cotto, Juan Manuel Lopez, Wilfredo Vasquez Jr., juntamente com os mexicanos Julio Cesar Chavez Jr., Saul Alvarez, Antonio Margarito e Rafael Marquez são garantia de grandes espetáculos. Isso sem contar os veteranos Erik Morales, Marco Antonio Barrera, Juan Manuel Marquez (mexicanos) e Ricardo Mayorga (porto-riquenho).

"Isso se explica pelo fato de os jovens nesses países não terem muitas opções para ganharem a vida", afirmou José Sulaymán, presidente do Conselho Mundial de Boxe. "México e Porto Rico, juntamente com o Japão deverão dominar o boxe nos próximos anos."

Com o elevado número de imigrantes porto-riquenhos e mexicanos nos Estados Unidos, esses lutadores são tratados como estrelas nos ringues de Nova York e Las Vegas, onde se concentram as maiores possibilidades para ganhar dinheiro. Em junho do ano passado, Miguel Cotto embolsou US$ 2 milhões (cerca de R$ 3,4 milhões) para encarar o norte-americano Yuri Foreman no Yankee Stadium, diante de mais de 20 mil espectadores.

Os empresários sonham com uma revanche entre Cotto e Antonio Margarito, que lutaram em 2008, com vitória do mexicano. No primeiro duelo, 450 mil assinaturas foram vendidas no pay-per-view e a expectativa é de que o número pelo menos dobre em um novo e eletrizante encontro.

Alvo. Mas o grande objetivo de porto-riquenhos e mexicanos é obter a oportunidade de enfrentar o filipino Manny Pacquiao, maior boxeador da atualidade, pois é certa a garantia de bolsas mais vultosas. Barrera, Morales e Marquez adiaram a aposentadoria para encarar mais uma vez Pacman. "Pacquiao já levou 50 mil torcedores. Não sei qual o palco ideal para colocá-lo diante de um grande nome mexicano", afirmou o empresário Bob Arum. Quem está sendo preparado é o novato Saul Alvarez, de 20 anos, que vai disputar o título mundial dos meio-médios - cinturão que pertenceu a Pacquiao - dia 5, em Anaheim, na Califórnia, contra o britânico Matt Hatton.

"Um duelo Alvarez x Pacquiao só poderá ser realizado no Estádio Azteca, na Cidade do México. Para mais de 100 mil pessoas", disse Oscar De La Hoya, que organiza a carreira de Alvarez, invicto com 35 vitórias (26 nocautes) e um empate. Ele é profissional há 5 anos e meio.

EUA em baixa. O momento do boxe norte-americano não é bom. Além de sofrer com os inoperantes pesos pesados, ainda não soma uma boa variedade de grandes nomes. Entre os 68 campeões mundiais nas quatro principais entidades, apenas cinco são norte-americanos. Destaque para os invictos Andre Berto, campeão dos meio-médios do Conselho Mundial de Boxe, e o meio-médio-ligeiro Timothy Bradley, dono do cinturão unificado do Conselho e da Organização Mundial de Boxe.

O grande nome do boxe norte-americano da atualidade está sem cinturão. Trata-se de Floyd Mayweather (41 vitórias, invicto) que passa por problemas com a Justiça, ao agredir sua mulher. Caso consiga se livrar da prisão, Money (Dinheiro), como é conhecido, ficará livre para o duelo com Pacquiao, que promete quebrar todos os recordes da história do esporte. A bolsa de ambos pode atingir os inigualáveis US$ 100 milhões.

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