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México perde medalha e dirigente

Bronze na ginástica é cassado por escalação de atleta inscrita como treinadora. Responsável acaba expulso dos Jogos

Eduardo Maluf, O Estadao de S.Paulo

21 de julho de 2007 | 00h00

A utilização de uma atleta inscrita como treinadora tirou a histórica medalha de bronze do México na disputa da ginástica artística feminina por equipes e provocou a expulsão de um dirigente do Pan. O caso envolvendo os mexicanos foi o primeiro de perda de medalha nos Jogos do Rio. O Canadá acabou sendo beneficiado e herdou o terceiro lugar.O anúncio foi feito ontem pela Odepa (Organização Desportiva Pan-Americana), em tumultuada entrevista coletiva. Felipe Muñoz Kapamaz, secretário-geral da entidade, criticou o erro - ou, para alguns, trapaça - cometido pelo presidente da Federação Mexicana de Ginástica, Alejandro Peniche Franco. ''''É irregular escalar alguém inscrito como treinador para competir.''''As cenas vistas ontem na Vila Pan-Americana foram, no mínimo, estranhas. Todos os mexicanos, desde dirigentes esportivos até ministro, massacraram Alejandro Franco, culpando-o sem nenhum constrangimento pela perda do bronze. ''''As meninas lutaram para conseguir o bronze e o perderam pela irresponsabilidade de uma pessoa'''', esbravejou Carlos Hermosillo, ministro dos Esportes, ao Estado. ''''Vamos aplicar punição rigorosa a ele (Alejandro Franco)'''', prosseguiu, admitindo até processo para destituí-lo do cargo. Hermosillo disse que vai manter a premiação das garotas. ''''Não tiveram culpa de nada e fizeram bem o papel delas.'''' Pela primeira vez em todos os tempos, o México conseguiu bronze por equipes na modalidade.Abalado, Alejandro Franco teve sua credencial cassada e não poderá ficar no Rio para as disputas da ginástica rítmica, na semana que vem. Em conversa com o Estado, se disse aborrecido pela forma como os mexicanos trataram o tema. ''''Parece que roubei alguma coisa, fiz alguma trapaça'''', desabafou. ''''Houve um erro e me desculpo, assumo a responsabilidade.''''Alejandro precisou deixar a Vila, onde estava concentrado com a delegação da ginástica.A POLÊMICANa ginástica por equipes seis atletas se apresentam. Cinthia Duarth, uma das representantes mexicanas, machucou-se. A direção do México resolveu, então, substituí-la por Marisela Arizmendi Torres, pivô da polêmica. Marisela é ginasta, mas veio ao Brasil apenas para ganhar experiência, registrada como treinadora. Não poderia competir. Segundo Alejandro, na véspera da prova, a Federação Mexicana enviou documento ao Comitê Organizador dos Jogos pedindo a troca. O Comitê, ainda de acordo com o dirigente, não repassou a solicitação à União Pan-Americana de Ginástica, responsável pela modalidade. Marisela, por isso, se apresentou de forma irregular.Hermosillo diz que Alejandro, mesmo que não houvesse feito nada com má intenção, não poderia ter escalado uma ginasta sem a posse de certificado que garantisse participação. As meninas e o técnico Antonio Barraza souberam ontem da notícia, depois de terem embarcado para casa.REVANCHEO México, porém, vai ao contra-ataque. Hermosillo diz que o Brasil deve perder o bronze no hipismo (prova de adestramento) por supostamente ter inscrito um cavalo e ter usado outro. Se isso ocorrer, os mexicanos herdam a medalha, pois havia terminado em quarto lugar.

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