Jason Reed/Reuters - 27/08/2007
Jason Reed/Reuters - 27/08/2007

Michael Vick acerta retorno à NFL com o Philadelphia Eagles

Quarterback de 29 anos ganha segunda chance na liga após cumprir pena por promover brigas de cachorros

Alan Rafael Villaverde, estadao.com.br

14 de agosto de 2009 | 16h34

O quarterback Michael Vick ganhou uma nova chance na NFL ao acertar um contrato de dois anos com o Philadelphia Eagles no começo da madrugada (de Brasília) desta sexta-feira.

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O jogador, de 29 anos, cumpriu 18 meses de uma sentença de 23 meses por promover brigas de cachorros e, consequentemente, crueldade a animais, formação de quadrilha e apostas ilegais. "Eu acredito que quando uma pessoa faz o que é certo, ela merece uma segunda chance para se redimir", disse Vick sobre o fato de ter cumprido a sentença imposta.

Michael Vick será o reserva imediato da estrela Donovan McNabb, e terá chances no time titular em formações diferenciadas, uma vez que sua habilidade em correr com a bola, e o arremesso certeiro com o braço esquerdo, faz do quarterback uma ameaça real à qualquer defesa adversária.

De acordo com o noticiado pela imprensa norte-americana, Vick receberá US$ 1,6 milhões (cerca de R$ 2,95 milhões) no primeiro ano. Se seu desempenho for bom, os Eagles terão de pagar US$ 5,2 milhões (R$ 9,6 milhões) pelo segundo ano de contrato.

Apesar de ter um novo clube, Michael Vick só poderá jogar pelo clube na sexta semana da temporada, que começa em setembro, por punição extra imposta pelo comissário da NFL, Roger Goodell. Já treinamentos e jogos-treino estão liberados.

NOVA CHANCE

Odiado e amado por muitos, Michael Vick tem a chance de se redimir perante à opinião pública ao voltar à NFL por intermédio do Philadelphia Eagles. "Eu sei que é um privilégio jogar na NFL, e não um direito. Quero me redimir por tudo de errado que fiz e sei que tenho uma oportunidade única para isso".

Após cumprir 18 meses da sentença de 23 meses, Vick trabalhou como pedreiro e assumiu inúmeros compromissos para participar de serviços comunitários, utilizando sua história de vida. "Eu sei que o que fiz foi muito errado, e vou conversar e mostrar aos jovens que existe a escolha certa a ser feita".

A volta de Vick aos jogos de futebol americano, no entanto, promete não ser fácil. No programa 60 minutos, da rede CBS, que será transmitido neste fim de semana nos Estados Unidos (veja um trecho da entrevista), o quarterback confessa que foi acostumado com brigas de cachorros desde sua infância, que era algo corriqueiro em sua comunidade, no estado da Virgínia, e que agora sua meta é ajudar a erradicar tal prática.

A PETA, uma das principais organizações contra a crueldade de animais, organizou campanhas assim que Vick foi à julgamento, dois anos atrás, chegando a pedir que o atleta nunca mais jogasse como profissional na NFL.

Roger Goodell, no entanto, admitiu dar uma nova chance a Michael Vick na NFL, o que deve acontecer oficialmente em outubro, podendo gerar novos protestos da PETA, que, até o momento, sugere à liga de futebol americano a adesão a um curso da entidade para a conscientização sobre os direitos dos animais. A ideia é que todos os jogadores façam o curso.

NÚMEROS

Michael Vick foi o primeiro escolhido no Draft de 2001 pelo Atlanta Falcons, e se transformou num dos principais jogadores da NFL pela sua capacidade de correr com a bola e desestabilizar as defesas adversárias, que nunca sabiam quando a jogada seria de passe ou corrida.

Ao ver o potencial do quarterback canhoto, o Atlanta Falcons renovou seu contrato em 2004 por 10 temporadas, no valor de US$ 130 milhões (cerca de R$ 239 milhões), o que, na época, era o maior contrato da história da NFL.

Com a sentença, Vick perdeu o contrato com os Falcons, assim como o patrocínio de quase US$ 100 milhões com a Nike. Em menos de seis meses após o surgimento do escândalo, Michael Vick entrou em falência e, tenta, até hoje, um acordo com seus credores.

Matt Rourke/AP

Vick no meio dos técnicos Andy Reid (esq.), dos Eagles, e Tony Dungy, seu mentor no retorno à NFL

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