Michelle festeja sua cesta mais difícil

Pivô supera leucemia e é convocada pela 1.ª vez para a seleção adulta

Glenda Carqueijo, O Estadao de S.Paulo

28 de fevereiro de 2008 | 00h00

Há três anos, a pivô catarinense Michelle Splitter foi obrigada a adiar o sonho de defender a seleção brasileira de basquete sub-17, surpreendida por uma leucemia. Longe das quadras, encarou um longo tratamento de quimioterapia. Foram 11 meses - com intervalos. Hoje, aos 18 anos, Michelle está curada e tem um motivo a mais para comemorar. Ontem, foi convocada pela primeira vez para a seleção adulta, que disputará amistosos em Cuba."Quando fiquei doente, coloquei na minha cabeça que voltaria a jogar basquete. Todo dia pensava em voltar. Pensei nisso durante todo o tratamento. Estou muito emocionada."Além dos 11 meses do tratamento de quimioterapia, Michelle lembra que precisou de mais dois anos para se recuperar totalmente. "Eu sentia muito cansaço. Quando levantava da cama, mal conseguia ficar em pé, porque as minhas pernas estavam fracas. Passava o dia na cama", lembra a garota.A pivô de 1,98 m e 85 quilos perdeu no tratamento 17 quilos - caiu dos 87 para 70 - e por causa da fraqueza que sentia também teve de se afastar da escola. "Não conseguia fazer nada. Além do cansaço, tinha muita coisa na cabeça. A doença mexeu comigo."A leucemia foi diagnosticada em um exame de sangue, em 2004. Durante os treinos de basquete sentia dores de cabeça, o coração acelerava, tinha pontadas no peito e hematomas pelo corpo. Tudo o que comia e bebia colocava para fora. "No primeiro exame de sangue, vi que estava tudo alterado. No dia seguinte, já estava internada."No ano passado, quando foi liberada pelos médicos para voltar a "brincar" com a bola, o corpo de Michelle ainda demonstrava sinais de fraqueza. "Eu queria bater uma bolinha, mas sempre me machucava. Fiquei um tempo parada de novo por causa do tornozelo."Em julho de 2007, a catarinense foi contratada por Americana, onde está até hoje. No interior, diz que agora pode levar "uma vida normal". Mora com mais cinco meninas em uma república de jogadoras. Sua família vive em Santa Catarina. Durante o tratamento, sua mãe, Elizabeth, professora de música em Joinville, deixou a escola para acompanhar a recuperação da filha em Campinas. Michelle também quer recuperar o tempo perdido na escola. Está fazendo supletivo.A garota, irmã caçula de Thiago Splitter, ala-pivô da seleção brasileira e do espanhol TAU Ceramica, diz que sua história pode servir de exemplo."Descobri nesses três anos que o mais importante na vida é ter fé em Deus e muita paciência", observa a jogadora, que estava ansiosa para contar a notícia ao irmão Thiago. "Ainda não tive tempo de ligar para ele na Espanha (ontem). Soube da convocação antes de entrar na quadra para treinar." Após a série de amistosos contra Cuba, em Havana, Michelle sonha em defender o País no Pré-Olímpico de Madri, em junho. "Só de estar na seleção e poder mostrar meu basquete estou realizada. Se não for desta vez, já aprendi, terei paciência." VOLTA POR CIMAMichelle Splitterjogadora de basquete"Quando fiquei doente, coloquei na minha cabeça que ia voltar a jogar basquete. Todo dia pensava em voltar. Pensei nisso durante todo o tratamento. Estou muito emocionada"

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