Milan prepara despedida de Kaká e torcida protesta

Na antevéspera da reunião com o Manchester City, craque enfrenta Fiorentina, no San Siro

Luís Augusto Monaco, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

A trajetória de Kaká com a camisa do Milan deve chegar ao fim hoje, contra a Fiorentina em Milão, às 20h30 (17h30 de Brasília). Os sinais de que sua transferência para o Manchester City será consumada na reunião que terá segunda-feira com os diretores do clube inglês são cada vez mais claros, e nos bastidores do Milan já se dá como certa a saída do craque.   Opine: Kaká deve ir para o City? No treino de ontem, que pode ter sido seu último no clube, ele teve uma crise de choro e foi amparado pelos companheiros e pelo técnico Carlo Ancelotti. Quando o trabalho acabou, deu um longo abraço em Ancelotti. Em seguida fez o mesmo com Leonardo, o ex-jogador que hoje é diretor do Milan e que foi o principal artífice de sua contratação em agosto de 2003.Em entrevista coletiva, Carlo Ancelotti primeiro disse que gostaria que Kaká ficasse. Mas em seguida afirmou que o clube tem o direito de tomar decisões que atendam aos seus interesses e que a oferta do City é "muito alta". "Nosso time será forte mesmo se o Kaká sair, com chance de continuar na luta por seus objetivos nesta temporada. Temos grandes jogadores."O Milan está claramente interessado em vendê-lo para embolsar os 100 milhões de libras (R$ 345 milhões) oferecidos pelo City, tanto que autorizou o clube inglês a negociar com o craque. E a confiança do City em contar com Kaká é enorme.Ontem à tarde, o site www.arabianbusiness.com divulgou, ressaltando que era uma informação exclusiva, que o xeque Mansour bin Zayed Al Nahyan (o cabeça do grupo de investidores dos Emirados Árabes que comprou o clube inglês em agosto) já havia dito a amigos que Kaká estava contratado. As diretorias de Manchester e Milan desmentiram a notícia, assim como o assessor de imprensa de Kaká, Diogo Kotscho.Na reunião de segunda, que também contará com Bosco Leite (pai e procurador do craque), os representantes do City começarão a conversa fazendo uma proposta financeira astronômica a Kaká. E uma pessoa próxima ao jogador disse ao Estado o seguinte: "Se os números forem os que têm sido publicados nos jornais ingleses não tem como ele recusar a proposta."Um dos compromissos que a direção do City assume com Kaká é o de investir pesado para contratar jogadores de alto nível e transformar o time no melhor do mundo. Como o Estado revelou quarta-feira, o meia da seleção holandesa Nigel de Jong era um dos objetivos do clube. E ontem foi fechado o acordo com o Hamburgo por 17 milhões (R$ 52,8 milhões). BRONCABastou a diretoria do Milan admitir publicamente que liberou Kaká para negociar seu contrato com o Manchester City para os "ultras" - como são conhecidos na Itália os integrantes das torcidas organizadas - se revoltarem. Um grupo de 70 pessoas passou a madrugada e a manhã de ontem protestando na frente da sede do clube. E a promessa é de novos protestos hoje no estádio.Por temor aos torcedores, o vice-presidente Adriano Galliani tem circulado sempre acompanhado por guarda-costas e fugido das entrevistas. E ontem à tarde havia cinco carros de polícia estacionados em frente à sede do Milan para garantir a segurança dos dirigentes.Os "ultras" levaram faixas com dizeres a favor de Kaká e contra a diretoria. "Se venderem Kaká, a Sul se esvaziará." A "Sul" é a curva sul do Estádio San Siro, o local atrás de um dos gols de onde eles veem as partidas. Um outro grupo ficou na porta do CT esperando Kaká chegar para o treino. Ele chegou junto com outros jogadores no micro-ônibus do Milan e acenou para os torcedores que gritavam para ele ficar.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.