Miguel Schincariol/ AFP
Miguel Schincariol/ AFP

Mineirinho prevê domínio brasileiro nos próximos anos

Adriano de Souza pede apoio 'mesmo quando vitórias não vierem'

Renan Fernandes, O Estado de S. Paulo

22 de dezembro de 2015 | 16h26

Campeão mundial de surfe no último dia 17, em disputa realizada em Pipeline, no Havaí, Adriano de Souza já está no Brasil. Após recepção calorosa por cerca de 100 pessoas no aeroporto de Guarulhos, Mineirinho, como é conhecido, não escondeu a emoção após o primeiro contato com os fãs.

"Está sendo um sonho, o atleta sonha chegar nesse momento, mas não sabe o que acontece", revelou surfista , sem desgrudar do troféu da WSL. Outro que não imaginava tamanho assédio da imprensa e do público foi o irmão Angelo, que comprou a primeira prancha do atual número 1 do mundo. "Não esperava toda essa grandiosidade. Como eu amo o Adriano e quero tudo de bom para ele. No momento que ele pediu a prancha eu queria o melhor para ele." 

Além de garantir que vai estar na luta do título em 2016, o campeão do mundo atendeu a imprensa na sede da Red Bull, um de seus patrocinadores, em São Paulo, e disse que espera um domínio brasileiro na elite do surfe mundial nos próximos anos.

"Eu acho que só vai depender desses dez atletas que vai representar o Brasil no ano que vem, quando eu entrei no  circuito faltava muita coisa para adquirir experiência, técnica. Esses dez têm totais chances de ser campeão. Nem sempre o favorito é campeão, que foi o meu caso." Mas o surfista fez questão de pedir a compreensão de todos quando as vitórias não chegarem, para ele ou para os outros brasileiros. "O Brasil precisa acreditar nos seus atletas." 

"É o que a gente tem. Seria bacana ter esse reconhecimento, estar junto com os caras mesmo na derrota." Campeão mundial júnior em 2004 e atleta da elite há dez temporadas, Mineirinho está com 28 anos. Mas o membro mais experiente da "Brazilian Storm" ("Tempestade Brasileira", forma como a imprensa internacional chama a nova geração de surfistas brasileiros), exaltou o que os pioneiros do surfe no Brasil fizeram para ele e o Medina chagarem ao título mundial.

"Eu sempre trabalhei com espelho na minha vida. Quando eu entrei no circuito mundial era o Peterson, Teco Padaratz, Vito Ribas, o melhor brasileiro na época. Os pioneiros deixaram alguns buracos. Eles não tinha referência e tiveram que traçar o caminho deles. Eu tenho sorte de ser dessa geração mais pronta. Mas temos que agradecer o que eles fizeram."

Assim como fez ao conquistar o título do Billabong Pipe Masters 2015, Mineirinho dedicou sua conquista ao amigo Ricardo dos Santos, morto por um policial em Santa Catarina no começo de 2015. "Ano passado ele estava nas areias de Pipe e ficou mais feliz do que triste quando o Medina não ganhou (a etapa do Havaí). Ele brincou: 'Abriu as portas para eu ser o primeiro campeão em Pipe Masters'. Era o sonho da vida dele. Eu sempre almejei ser campeão no Havaí e dedico isso a ele." 

Após a coletiva, Mineirinho segue para o Guarujá, no litoral paulista, sua terra natal, onde será recebido pela prefeita Maria Antonieta de Brito e depois vai desfilar em carro de aberto.

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