Tibor Illyes/AP
Tibor Illyes/AP

‘Minha meta é ganhar uma medalha nos Jogos de Tóquio’

Nascida na Itália, mas naturalizada brasileira, esgrimista fala sobre seus bons resultados e projeta disputa olímpica no Japão

Entrevista com

Nathalie Moellhausen

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2019 | 17h56

Nathalie Moellhausen nasceu em Milão, mas por possuir dupla nacionalidade, escolheu o Brasil para competir. Aos 33 anos, vive seu melhor momento na esgrima e se sagrou campeã mundial na Hungria. Agora, lida com a responsabilidade de um grande resultado no currículo e projeta uma boa campanha nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no ano que vem. Entre sua rotina pesada de treinos, quer promover ainda mais sua modalidade no País.

O que mudou na sua vida após o título mundial?

Muitas coisas. Primeiro o fato de já estar aqui no Brasil e poder viver esse momento aqui, o País que me acolheu. Isso é uma grande mudança na minha vida. Desde que ganhei o Mundial foi uma correria enorme, com eventos e situações novas que eu precisei assumir. Sabia que seria assim, mas viver tudo isso é diferente. Minha responsabilidade mudou principalmente em relação à minha missão com a esgrima no Brasil.

O que se pode fazer no Brasil para que a esgrima seja mais popular?

Eu acho que precisam ser feitas ações de disciplina esportiva, mas existem muitas formas de divulgação através da arte, que é o método que eu uso. É uma forma de comunicação mais fácil para as pessoas entenderem os valores dessa disciplina. Existem várias formas de provocar interesse no público que não conhece a esgrima. A minha responsabilidade agora é divulgar o esporte para que ele seja mais familiar a todos. Acho que a esgrima está crescendo, mas seria necessário ter mais projetos para as futuras gerações para que o esporte seja mais forte nos próximos anos.

Como é um dia normal de uma atleta de elite como você?

Eu treino de três a cinco horas por dia, começo muito cedo pela manhã e às vezes pratico também à tarde. Faço treinamento físico e técnico com aula de esgrima, de passos e lutas. É uma rotina bem carregada principalmente no aspecto mental. Tudo isso ocupa muito tempo do dia.

O que você mais gosta aqui no Brasil?

Eu gosto da energia positiva do País. Realmente, essa forma de olhar para frente e torcer de forma muito carinhosa, como vivenciei nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, é diferente da Europa. A gente aqui não se apega tanto ao passado e projeta mais o futuro. Isso é muito bom.

Apesar de chegar em Lima como campeã mundial, você não ganhou o ouro no Pan. Isso é comum na esgrima?

Eu conheço muito bem minha disciplina. Um dia você é campeã do mundo, no outro você pode perder uma competição mais cedo. Estou preparada para isso. Meu treinador me diz que são tantos anos esperando a medalha de ouro que a ficha demora um pouco para cair. O Pan-Americano veio na sequência, a atleta que eu perdi é uma americana que eu não costumo ir tão bem contra ela. Fui campeã do mundo, mas não ganhei de todas as 260 atletas que estavam lá. Foi o dia certo e é bom para saber que precisa ter os pés no chão e saber que sempre pode perder.

Para os Jogos Olímpicos de Tóquio, qual é sua ambição?

Minha meta é fazer o melhor naquele dia e tentar ganhar uma outra medalha. Claro que esse é meu sonho, tentar ganhar outro título importante nas duas maiores competições, mas sei que tenho de ir passo a passo. É muito longe, tenho de trabalhar dia a dia para ver se consigo fazer esse resultado no Japão.

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