MINISTÉRIO DO ESPORTE CONDENA RELACIONAMENTO

Diretor do Departamento de Defesa do Torcedor do Ministério do Esporte, o promotor Paulo Castilho ataca o relacionamento dos clubes com as torcidas organizadas. "A torcida organizada tem de torcer e incentivar o clube. É para isso que ela existe. Ela não tem de ter ingerência na administração, na contratação de jogador ou na vida do clube. A pessoa tem de torcer para o clube, e não para a sua torcida."

O Estado de S.Paulo

17 de março de 2013 | 02h05

No combate à violência, o ministério tem conversado com governadores e presidentes de tribunais de justiça para a instalação de uma justiça especializada em futebol, com vara, promotor e delegacia específicos em todos os Estados. Assim, segundo Castilho, fica mais fácil identificar e, consequentemente, punir os vândalos. "Nós precisamos aprimorar os mecanismos do Estado para combater a violência e acabar com a sensação de impunidade."

O ministério montou ainda uma comissão com juristas especializados na área esportiva para regulamentar o Estatuto do Torcedor e dar mais efetividade ao cumprimento do conjunto de normas e leis de segurança em eventos esportivos. Também será lançado no dia 11 de abril o Conselho Nacional de Segurança, com representantes da polícia, da sociedade civil e do Ministério da Justiça. "O combate à violência exige uma série de medidas, e não só uma ação isolada", diz Castilho.

A médio e a longo prazos, o Ministério do Esporte estuda oferecer cursos profissionalizantes aos associados das organizadas a fim de integrar à sociedade pessoas que hoje se dedicam apenas às torcidas. "É preciso fazer um trabalho de inclusão social nas torcidas organizadas para que a gente possa trazer para o nosso lado essa gama de jovens, muitas vezes de periferia, e expurgar os criminosos das torcidas, Fazendo um paralelo, a torcida organizada é como uma favela. Temos 97% de gente boa e 3% de criminosos que levam o terror à sociedade", compara o promotor.

A Copa do Mundo e a Copa das Confederações também provocam preocupação no promotor. "Você não pode pensar apenas nos jogos e nos estádios. E as fan fests, que vão reunir 50 mil pessoas? A segurança desses locais tem de ser muito bem pensada." / G.Jr. e R.R.

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