Ministro Agnelo critica decisão do COI

Nem insegurança, nem falta de infra-estrutura. Para o ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) de não incluir o Rio de Janeiro na fase final do processo de escolha para a sede dos Jogos Olímpicos de 2012 foi "política". Insinuando manobras nos bastidores e indicando que a candidatura de Madri teria sido favorecida pela presença do presidente de honra do COI, Juan Antonio Samaranch, Agnelo não mediu palavras. "Ninguém pode ser dono desses jogos apenas por serem países fortes economicamente." Antes mesmo de ler o relatório produzido pelo COI, o representante do governo de Luiz Inácio Lula da Silva optou por adotar um discurso de que uma conspiração teria sido montada contra o Brasil. Para ele, a entidade teria impedido que o Rio chegasse à etapa final, fase que seria decidida pelo votos dos 125 representantes de federações. Pela teoria de Agnelo, nessa fase o Brasil teria um grande número de apoios e ameaçaria a Europa. "Foi uma decisão política de retirar o Brasil agora", declarou, visivelmente abatido e consternado. Agnelo ainda apontou que o fato de o País não ter um membro no comitê executivo do COI também teria prejudicado o Rio. Membros da delegação brasileira, antes de mesmo de sair da sala onde foi feito o anúncio da eliminação do Rio, já se aproximavam à imprensa para "revelar" que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, teria feito ligações na manhã desta terça-feira para o presidente do COI, Jacques Rogge, pressionando para que Moscou fosse mantida na corrida. Nem o COI nem os membros da delegação russa confirmaram o rumor. A delegação brasileira ainda tentou enfatizar que os Jogos não deveriam permanecer apenas em algumas regiões do mundo, excluindo outras. "Não dar a oportunidade a uma região toda (América do Sul) é lamentável", apontou Agnelo, lembrando que Paris e Londres já realizaram o evento em várias ocasiões e que cidades nos Estados Unidos, Rússia e Espanha também já tiveram seus jogos há poucos anos. Para ele, o evento seria um catalisador para o desenvolvimento do País. "As Olimpíadas em Paris e em Londres traz benefícios, mas ajuda muito menos que se fosse realizada em um país em desenvolvimento, onde seriam feitos investimentos", afirmou. Para um representante de uma consultoria americana que se ofereceu para montar a candidatura brasileira, mas que foi recusada, o discurso do governo chega atrasado. "Deveriam ter dito que era os Jogos dos Países em Desenvolvimento antes, o que criaria uma pressão sobre comitê do COI", afirmou o representante, que pediu para manter o anonimato.

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