Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Ministro do Esporte diz que Câmara tem autonomia para investigar CBF

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que já há em Brasília um pedido de CPI para apurar e investigar as coisas da CBF

Maria Carolina Marcello , Reuters

09 de abril de 2013 | 18h17

BRASÍLIA - A Câmara dos Deputados, ao contrário do Poder Executivo, tem o poder de investigar denúncias de irregularidades envolvendo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), afirmou o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, nesta terça-feira. "Não temos como interferir na CBF. A Câmara dos Deputados tem essa liberdade. O Poder Executivo não tem", disse o ministro em audiência pública na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara.

"Posso dizer que a Câmara tem essa autonomia, tem essa liberdade... para fazer as ações que considerar adequadas", acrescentou Aldo Rebelo, ao comentar a existência de um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa para investigar a CBF.

Em áudios difundidos na Internet, uma pessoa cuja voz é atribuída ao presidente da CBF, José Maria Marin, faz acertos com aliados sobre as eleições internas da entidade. Outra polêmica envolve o presidente da confederação, que também preside o Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo de 2014. Em outro áudio, a voz atribuída a Marin faz críticas ao ministro do Esporte, que é classificado como "limitado" e com raciocínio "demorado".

Marin também é questionado por ter supostamente colaborado com o regime militar. O requerimento de CPI, apresentado pelo deputado federal Romário (PSB-RJ) em dezembro do ano passado, ultrapassou o número de assinaturas necessárias para a criação de CPIs, mas aguarda em uma fila, atrás de outros pedidos sobre outros temas, para que a comissão seja efetivamente criada.

A relação entre o governo e o presidente da CBF tem se deteriorado. Na semana passada, Rebelo pediu explicações a Marin sobre as gravações. Qualquer interferência do governo na confederação poderia causar um grande atrito com a Fifa, entidade que comanda o futebol mundial e é responsável pela organização da Copa das Confederações, neste ano, e a Copa do Mundo de 2014.

O próprio ministro admitiu, nesta terça-feira, ao afirmar que a Câmara tem "autonomia" para investigar as denúncias, que qualquer movimento do governo "melindra" a Fifa. Mas o governo tem a preocupação de que as críticas a Marin prejudiquem a imagem do país e a organização do evento esportivo, segundo uma fonte com conhecimento do assunto.

Na semana passada, essa fonte à Reuters que a presidente Dilma Rousseff simpatiza com a possibilidade de o ex-atacante Ronaldo, atual membro do comitê, assumir o comando do COL no lugar de Marin. A presidente também teria determinado que o governo "fique longe da confusão" envolvendo o presidente da CBF.

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