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Ministro russo critica nova suspensão sugerida pela Agência Mundial Antidoping

Wada fez recomendações para uma nova punição ao país por conta dos problemas com doping de atletas

Redação, Estadão Conteúdo

26 de novembro de 2019 | 10h14

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, reagiu nesta terça-feira às sugestões da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) de que o esporte do país precisa sofrer novas sanções. Ele criticou as recomendações da entidade e disse que o Ocidente tenta marginalizar a Rússia.

"Há aqueles que querem colocar a Rússia em posição defensiva, colocando-nos a culpa por tudo na esfera internacional: conflitos, economia, energia, gasodutos, venda de armas", declarou Lavrov, em entrevista coletiva. Quase ao mesmo tempo, Yuri Ganus, chefe da Agência Antidoping da Rússia (Rusada), defendeu as medidas recomendadas pela Wada.

Eles se referem às sugestões do Comitê de Compliance da Wada, um dos principais painéis da entidade, a respeito do esporte russo, diante de novas evidências de doping. O comitê sugeriu na segunda-feira medidas drásticas, como proibir o país de sediar grandes eventos do esporte por quatro anos, mesmo período em que os atletas da Rússia não poderiam defender a bandeira do país nas competições.

Isso já havia acontecido com os esportistas do atletismo da Rússia nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, e, de forma mais ampla, na Olimpíada de Inverno de Pyeongchang, no ano passado. A nova sanção alcançaria os Jogos de Tóquio-2020 e a Olimpíada de Inverno de Pequim, em 2022. Estas recomendações, contudo, ainda serão avaliadas pelo Comitê Executivo da Wada, no dia 9 de dezembro.

As recomendações da entidade abrem novo capítulo de punições ao esporte russo, que já sofre com sanções desde 2015. E ocorre justamente num momento em que o país esperava se ajustar diante das regras mundiais antidoping, processo que vem acontecendo desde janeiro.

No início do ano, a Rússia passou a liberar os dados relativos às amostras de testes antidoping realizados pelo laboratório de Moscou nos últimos anos. Esta era uma das duas principais exigências das autoridades mundiais para liberar o país para competir normalmente nos principais eventos esportivos do planeta - a outra exigência era aceitar publicamente o resultado do Relatório McLaren, que deu origem ao escândalo iniciado em 2015.

Nos últimos meses, contudo, surgiram evidências de que parte destes dados foram alterados ou apagados pelas autoridades russas. Além disso, há suspeitas de que esforço para plantar informações falsas com o objetivo de implicar negativamente Grigory Rodchenkov, ex-diretor do laboratório russo e principal delator do esquema russo de doping.

"Estas punições eram esperadas e são justificadas", admitiu Yuri Ganus, chefe da Rusada, em entrevista à agência de notícias Associated Press. "Uma das condições exigidas pelas autoridades esportivas não foi cumprida. E, infelizmente, nossos atletas estão se tornando reféns desta situação."

Ganus criticou diretamente a gestão esportiva da Rússia. "Estamos no quinto ano desta crise e, infelizmente, aqueles indivíduos responsáveis por administrar nosso esporte não apenas falharam na tentativa de sair da crise como aprofundaram a situação ainda mais", atacou.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) ainda não se manifestou sobre as recomendações do painel da Wada.

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