Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Missão do rúgbi é igualar desempenho dos rivais no Rio 2016

Engatinhando no Brasil, esporte usa inovações que facilitam treinos

Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

02 de dezembro de 2015 | 12h00

Em busca do impossível, o rúgbi brasileiro tem corrido atrás das grandes seleções do mundo. Tanto a seleção masculina quanto a feminina da Seven, que será disputada no Rio em 2016, já estão classificadas para os Jogos automaticamente como anfitriãs. A missão é conseguir chegar na Olimpíada no mesmo nível de preparação dos países que têm mais tradição e experiência na prática do esporte. Entre os homens, rivais de peso já estão classificados, como os times da Argentina e Nova Zelândia. A briga vai ser boa. Entre as mulheres, equipes como África do Sul e França estarão pelo caminho. Como se equiparar então com adversários cuja massificação do esporte em seus respectivos países é incomparavelmente maior com a brasileira?

Desde da confirmação da presença de ambos os times na Olimpíada, a Confederação Brasileira de Rugby tem trabalhado para que seus atletas estejam prontos para tamanho desafio. Além da preparação dentro de campo, o projeto consiste em aprimorar os jogadores e seu rendimento para que as partidas se decidam na qualidade técnica em campo, e não na preparação física do atletas.

Para que cada um dos sete atletas estejam em plena condição física e técnica, a comissão técnica da seleção brasileira tem procurado inovações que ajudem a extrair dos jogadores seu ápice. "Nova Zelândia e Austrália são potências e referências mundiais para as outras nações, como o Brasil. Existe uma distância no rendimento deles e no nosso, contudo, não é pela falta de preparo físico", explica José Eduardo Moraes, um dos preparadores físico da seleção de Sevens. Moraes tem à sua disposição uma série de equipamentos que contribuem para que possa afirmar isso. "Na avaliação física, utilizamos fotocélulas para medir velocidade, plataformas de forças e contato dos jogadores, além de um áudio, popularmente chamado de “iô-iô” para que os atletas façam testes de resistência."

Há alguns equipamentos mais comuns de outras modalidades, como GPS. Por meio dele, é possível quantificar as distâncias e velocidades percorridas durante o jogo e qualificar melhor o treino de cada indivíduo, já que os dados obtidos estarão à disposição de técnico e preparadores físicos. Dados concretos. "A gente está se dedicando muito. Não adianta a gente fantasiar: Mas vamos tentar ganhar de todos os melhores times do mundo. Mas também nada garante que eles vão ganhar da gente", diz a atleta da seleção brasileira de Rugby Seven, Beatriz Futuro. "Na alta performance, os detalhes é que  fazem a diferença. A gente chega a um nível e para passar desse nível são detalhes."

Mapear o desempenho já é uma prática de outras modalidades. O futebol, o m ais tradicional do Brasil, já faz isso há anos. O rúgbi está nesse mesmo caminho. Dessa forma, é possível entender defeitos e qualidades. "Essas medições facilitaram o meu trabalho", admite José Eduardo Moraes. "Ajuda a quantificar e a mapear o que é feito durante os jogos e treinos, de modo a focar nas deficiências. Além da tecnologia, é muito importante a inclusão de ciência em todo o processo", defende o preparador.

RÚGBI x FUTEBOL

Estar preparado no rúgbi é ponto fundamental até mesmo para evitar lesões dos atletas. Um dos pontos de destaque no trabalho visando a Olimpíada do Rio é a prevenção de lesões. Segundo José Eduardo Moraes, a comissão técnica tem analisado o CPK (enzima intracelular, um aumento dela significa lesão) de cada atleta. "Para o rúgbi, fizemos um estudo sobre o tema no NAR (Núcleo de Alto Rendimento). Constatamos que a CPK dos atletas chega a ser maior de quatro a seis vezes do que a de jogadores de futebol, por exemplo", afirma o especialista.

A parte de nutrição também tem feito a diferença para esses times, segundo Beatriz Futuro. Os jogadores da seleção têm passado por constantes exames clínicos para avaliar a quantidade de massa magra e gordura que o corpo aguenta carregar e assim aprimorar o treinamento visando atingir o ápice na disputa. "O mais importante, eu acho que é a nutrição. Se você sabe até onde seu corpo aguenta, até onde seu corpo pode chegar, você arrisca mais", afirmou a jogadora. Além de toda a preparação visando a melhoria individual dos atletas, há uma série de atitudes para a equipe inteira. Na recente viagem que a seleção feminina fez a Dubai, por exemplo, foi utilizado um aparelho para reduzir os efeitos do jet lag, expondo as atletas a luzes específicas. Desse modo, ninguém sentiu tanto a viagem de 14 horas.

Mesmo engatinhando, o rúgbi brasileiro segue uma vocação recente do esporte que é o de aproveitar cada vez mais as inovações que surgem para melhorar a modalidade, como explica o técnico da seleção masculina de rúgbi XV, Rodolfo Ambrósio: "O rúgbi é o esporte que trabalha com a melhor tecnologia. Um dos exemplos mais recentes é o de que ocorreu na Copa do Mundo de Rugby. O TMO (Television Match Official - tecnologia utilizada pela equipe de arbitragem e que tem como função ajudar a esclarecer lances duvidosos), por exemplo, é recurso que quase nenhum outro esporte do mundo tem, nem no futebol."

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