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Mito Armstrong ganha uma mancha

Norte-americano desiste de brigar contra acusações de doping e deve perder seus sete títulos da Volta da França

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2012 | 03h04

A União Internacional de Ciclismo (UCI) deve anunciar a qualquer momento a anulação de todos os títulos obtidos pelo multicampeão norte-americano Lance Armstrong. Sete vezes vencedor da prova mais importante do mundo, a Volta da França, Armstrong disse ontem, em nota oficial, que abandonará todos os recursos contra a Agência Americana Antidoping (Usada), que o acusava de ter competido sob o efeito de doping desde agosto de 1998. A anulação é um choque sem precedentes na história desse esporte.

O americano - que já havia se aposentado - também deve ser banido de competições. As decisões, porém, ainda dependem da confirmação da UCI, assim como dos organizadores da Volta da França, a companhia francesa Amaury Sports - o que, conforme especialistas do ciclismo, deve acontecer a qualquer momento.

Armstrong enfrentava a desconfiança internacional desde a época em que se tornara o grande campeão do ciclismo mundial, mas as investigações da Usada foram decisivas para sua sorte. A agência acusa o americano de violar cinco pontos do código desportivo relacionado à prática de doping. Entre eles, está o "uso ou tentativa de uso de substâncias proibidas e/ou de métodos que envolvam o EPO (o hormônio eritropoietina), as transfusões sanguíneas, a testosterona e os corticosteróides". Para os investigadores da agência, além da análise científica, "mais de uma dúzia de testemunhas", dentre os quais de ex-colegas de equipe, também apoia a conclusão.

A Usada afirma que Armstrong recorreu "ao EPO, às transfusões sanguíneas, à testosterona e à cortisona de 1998 a 2005". Antes disso, "ele tinha utilizado EPO, testosterona e hormônio de crescimento em 1996".

Armstrong, além de ser o vencedor da Volta da França nos anos de 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, ganhou admiradores em todo o mundo por ter superado um câncer e voltado a competir em alto nível, sempre recusou essas acusações. A gota d'água foi a decisão de um tribunal federal americano na segunda-feira, que recusou um dos últimos recursos do ciclista.

Ontem, veio a surpresa. "Existe um ponto na vida de cada homem em que é preciso dizer 'basta'. Para mim, este momento chegou", disse ele, em um comunicado publicado em seu website. Classificando a investigação da Usada de "caça às bruxas parcial e injusta", o americano reafirma que é inocente. "Não há nenhuma prova", alega. "Esta investigação não procura restabelecer a verdade ou tornar o ciclismo mais limpo, mas sim punir a qualquer preço. Não é justo."

Apesar dos argumentos, a comunidade científica demonstra não ter dúvidas dos atos de Armstrong. À rádio australiana ABC, John Fahey, diretor da Agência Mundial Antidopagem (AMA), afirmou que a decisão de Armstrong de não recorrer mais das acusações da Usada deve ser interpretada como o reconhecimento de sua responsabilidade.

Na tarde de ontem, o Estado tentou contato com a UCI, em Montreal, no Canadá, para obter uma posição a respeito da decisão da Usada, mas não obteve resposta. Os organizadores da Volta da França também não se manifestaram. E eles têm um enorme problema nas mãos. Isso porque competidores que chegaram atrás de Armstrong em vários anos de prova também foram flagrados em doping. Na competição de 2003, por exemplo, seria necessário dar o título ao quinto lugar - uma vergonha para um dos esportes mais populares do país.

Nos bastidores, a informação é de que o destino do atleta deve ser selado a partir de segunda-feira.

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