MLB começa temporada revigorada pelo dinheiro

Sob o comando de Allan Selig, liga norte-americana de beisebol quer conquistar o mundo

Alan Rafael Villaverde, estadao.com.br

27 de março de 2008 | 18h14

"Strike three, you're out!". Esta frase será ouvida de forma insana durante oito meses pelos milhões de fãs do beisebol, que têm na Major League Baseball (liga norte-americana) sua representação máxima, com 30 equipes dividas em duas ligas - Nacional e Americana -, com um total de 4.860 jogos (cada clube disputa 162 jogos na temporada regular). Veja também: Saiba mais: como se joga o beisebolAcompanhar o número surreal de jogos é tarefa para poucos fanáticos e, como de costume, serve de crítica para o modelo atual de disputa, mas o esporte, teoricamente inventado pelo norte-americano Abner Doubleday, em 1839, é visto por muitos como o principal passatempo da classe média dos Estados Unidos por retratar costumes nacionalistas e tradicionais, mantendo sua "essência". Apesar disso, o beisebol é amplamente divulgado em países da Ásia e da América Central, assim como no Caribe, Venezuela e Colômbia. Resultado disto é o grande número de jogadores de tais regiões na MLB, fazendo com que a liga abrisse espaço para todas as classes sociais dos Estados Unidos.Ciente do poder mercadológico, o atual comissário-chefe da MLB, Allan "Bud" Selig assumiu o controle da liga em 1992, quando esta passava por momentos turbulentos, com contratos pouco vantajosos para a transmissão de jogos, além de uma crise de identidade com o torcedor norte-americano, justamente por conta da entrada de jogadores de outros países, descaracterizando o rótulo de esporte "imaculado" (algo parecido aconteceu em 1947, quando Jackie Robinson quebrou a barreira racial ao ser o primeiro negro a jogar na MLB). Aos poucos - debaixo de críticas -, Selig conseguiu encontrar um novo nicho de mercado, ampliando a abrangência da liga para todas as classes sociais dos Estados Unidos; modernizou a estrutura e deu condições para novos empresários investirem na MLB. Sinal disto é que apenas cinco das 30 franquias não mudaram de dono após o começo da atual gestão da entidade.Hoje, Selig elevou o patamar da MLB, com contratos duradouros e milionários com grandes empresas e uma relação bem mais estreita com os principais meios de comunicação, criando o cenário perfeito para a expansão da liga, assim como feito pela NBA e a NFL. Resultado disto é a procura de países asiáticos para sediar jogos dos principais times. A temporada 2008, inclusive, começou com duas partidas realizadas na cidade de Tóquio, no Japão, entre o atual campeão, Boston Red Sox, e Oakland Athletics. O sucesso foi visto nas arquibancadas, lotadas de espectadores japoneses que, em parte, foram assistir o compatriota Daisuke Matsuzaka, que é um dos principais arremessadores do time de Boston. Assediada e revigorada, a MLB parte para conquistar o mundo.Mas nem tudo foi 'festa' na gestão de Selig. Apesar de valorizar a MLB, que hoje vale U$ 5,5 bilhões (cerca de R$ 9,4 bilhões), o atual comissário contornou a greve que os jogadores promoveram em 1994, que culminou no cancelamento da temporada, e ainda lida com os escândalos dos esteróides, exposto de vez pelo livro publicado do ex-jogador Jose Canseco, que, além de confessar que utilizou esteróides para melhorar seu desempenho, acusou inúmeros astros do beisebol, trazendo desconforto e forte pressão da opinião pública para MLB adotar uma política antidoping que, até o momento, não foi adotada. Mesmo assim, jogadores como Barry Bonds, que é o recordista de homeruns na história da liga, caíram em descrédito e não deverão entrar no Hall da Fama, que é o ápice do reconhecimento para qualquer jogador de um esporte tradicionalista como o beisebol.O SHOW VAI COMEÇARDeixando de lado o escândalo do uso de esteróides por parte de grandes jogadores, a MLB começa mais uma temporada com força total. Sinal disto são as recentes negociações de jogadores, como o arremessador Johann Santana, que foi contratado pelo New York Mets, assinando um contrato de seis anos no valor de U$ 137,2 milhões (aproximadamente R$ 233 milhões).Revigorada pelo dinheiro, a MLB começa com três forças, todas da Liga Americana: Boston Red Sox, New York Yankees e Detroit Tigers. Os dois primeiros times protagonizam a maior rivalidade da história da liga, com histórias e coincidências que fariam as superstições de futebol parecerem triviais. Converse com um torcedor do Boston sobre a "maldição do Bambino", que atormentou o time por quase 100 anos. É provável que ele se recuse a comentar sobre o assunto.A equipe de Boston manteve a base do ano passado e trouxe jogadores para dar mais opções ao técnico Terry Francona; o mesmo fez o time de Nova York, que quer voltar ao topo da MLB e desbancar o rival, mesmo sem contar com seu antigo treinador, Joe Torre, que assinou com o Los Angeles Dodgers. As duas franquias são as mais valorizadas do momento, vendendo produtos licenciados pelo mundo afora. No Brasil, é comum deparar-se com alguém vestindo um boné dos Yankees, por exemplo.Já os Tigers, de Detroit, montaram uma equipe muita competitiva, com jogadores que devem 'explodir' nesta temporada, como Denny Bautista e Dontrelle Willis. Oakland Athletics e Los Angeles Angels correm por fora. Se o favoritismo está do lado da Liga Americana, a incerteza está do lado da Liga Nacional. Na temporada passada, o Colorado Rockies, com um time fraco, conseguiu surpreender e chegar à World Series (final que reúne os campeões das duas ligas), mas foi derrotado sem piedade pelo Boston, por 4 jogos a 0. Das últimas oito finais, cinco foram conquistadas por times da Liga Americana.A surpresa do ano passado mostrou a fragilidade que a Liga Nacional se encontra, principalmente pela reestruturação pela qual equipes como o Atlanta Braves, San Francisco Giants, Houston Astros e Chicago Cubs atravessam. Mesmo assim, o New York Mets desponta com um possível candidato a estar na World Series, o que não acontece desde a temporada 2000, quando perdeu para o rival Yankees. Outro time que merece atenção é St. Louis Cardinals, que manteve a base dos últimos anos, assim como o técnico Tony Larussa, lenda viva do esporte e que, recentemente, passou por uma cirurgia no coração.A atual temporada já começou com os dois jogos disputados no Japão, mas a primeira partida, que será disputada em solo norte-americano, acontece neste domingo, dia 30, entre Atlanta Braves e Washington Capitals. FÓRMULA DE DISPUTAAs duas ligas possuem três divisões regionais, sendo que a Liga Nacional possui 16 times contra 14 da rival. Ao final da temporada regular, os campeões de cada divisão disputam os playoffs, juntamente com o time de melhor campanha (que não foi campeão de divisão).Para dar mais importância ao All-Star Game (jogo das estrelas), que perdeu importância com o passar dos anos, a MLB estipulou que a Liga campeã do jogo-exibição ganha o direito de ter vantagem de mando de campo na World Series, que é disputada numa série melhor de sete partidas. A decisão gerou controvérsia, mas Selig manteve sua posição a respeito.OS PRINCIPAIS CAMPEÕESO New York Yankees é o grande vencedor da World Series, com 26 conquistas contra 10 do Saint Louis Cardinals, que é o segundo colocado. Já o terceiro é o Oakland A´s, com nove conquistas, sendo que cinco delas foram quando a franquia jogava na cidade de Philadelphia.O Boston Red Sox, que soma duas conquistas nos últimos quatro anos, aparece na quarta posição, com sete títulos, enquanto o Los Angeles Dodgers segue logo atrás, com seis conquistas (uma como Brooklyn Dodgers).

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