Mo Farah nega ter se dopado e vê faltas a testes como 'simples mal-entendidos'

O bicampeão olímpico e mundial Mo Farah afirmou nesta sexta-feira, por meio de um comunicado, que nunca ingeriu substâncias proibidas e nem nunca usará para ter vantagem nas pistas de atletismo. O corredor britânico resolveu se manifestar publicamente sobre o assunto depois de ter desistido, há menos de duas semanas, de disputar a etapa de Birmingham da Diamond League, alegando desgaste por conta da acusação de doping que recai sobre o seu técnico, Alberto Salazar.

Estadão Conteúdo

19 de junho de 2015 | 10h49

Campeão dos 5.000 e dos 10.000 metros da Olimpíada de 2012 e depois vencedor das mesmas provas no Mundial de 2013, em Moscou, Mo Farah passou a se tornar alvo de uma grande polêmica após o jornal Daily Mail revelar que o consagrado atleta faltou a dois testes antidoping antes dos Jogos de Londres, em 2010 e 2011.

Para completar, uma reportagem publicada pela ProPublica, organização norte-americana especializada em jornalismo investigativo, e pela BBC acusava Salazar de estimular o doping entre seus atletas no Nike Oregon Project, nos Estados Unidos. Ele foi acusado por Steve Magness, seu ex-assistente, de violar as regras antidoping e de encorajar o uso de substâncias ilegais de corredores, como Galen Rupp, medalha de prata nos 10.000 metros em Londres-2012. O treinador e Rupp negam as acusações.

Em meio à polêmica, Mo Farah usou a sua página no Facebook para desabafar e assegurar que sempre foi um atleta limpo, que nunca trapaceou para triunfar nas pistas. "Eu nunca tomei drogas para melhorar meu desempenho na minha vida e nunca tomarei. Ao longo da minha carreira eu fui submetido a centenas de exames antidoping e cada um dele deu resultado negativo", disse o fundista ao iniciar o seu comunicado.

Farah ainda destacou que as suas faltas a dois testes antidoping, em 2010 e 2011, ocorreram com autorização das autoridades do atletismo e que "nunca houve qualquer sugestão de que estas (ausências) foram nada mais do que simples mal-entendidos".

O diário Daily Mail publicou na última quinta-feira que o corredor não compareceu a um teste antidoping no início de 2010, antes de se unir a Salazar, que teve seu nome citado em um recente documento divulgado pela BBC que o relacionava a supostas práticas de dopagem. Já a segunda falta a um teste, segundo completou o tabloide britânico, ocorreu em fevereiro de 2011, quando o corredor alegou não ter escutado a campainha de sua casa quando procurado para ser submetido ao exame.

"As últimas duas semanas foram as mais duras de minha vida, com rumores e especulações sobre mim que são completamente falsas, e o impacto que isso teve em minha família e amigos me deixou irritado, frustrado e chateado", ressaltou Farah nesta sexta, acrescentando depois em seu comunicado que Salazar lhe garantiu que as revelações da imprensa contra ele são falsas, assim como prometeu apresentar logo "as provas para deixar isso claro".

O Daily Mail afirmou que teve acesso a documentos oficiais que mostravam que Farah e sua equipe de atletismo apelaram ao Ukad, organismo britânico antidoping, para não ter de fazer o segundo teste antidoping que ele acabou não realizando.

Preocupada com denúncias envolvendo Salazar, a federação britânica de atletismo revelou na semana retrasada que irá investigar o histórico médico de Farah. A entidade teme que as denúncias manchem a reputação do corredor e pretende apurar "amostras de sangue, informações sobre suplementos e tudo que envolve tratamentos médicos" de Farah. "Precisamos ter certeza de que não há nada lá que não tenhamos visto", declarou Ed Warner, presidente da entidade britânica.

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