Moçada, acabou a brincadeira!

Boleiros

Antero Greco, antero.greco@grupoestado.com.br, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2008 | 00h00

Você que gentilmente lê esta coluna, por favor me acompanhe na resolução de um dilema. Com o crescimento de São Paulo, Corinthians e Palmeiras,todos no G4, o campeonato estadual ganha ou perde graça? Fica mais empolgante ou cai na mesmice? São estranhas as dúvidas? Não acho, pois essas possibilidades fazem sentido e têm seu charme. Depende do ponto de vista. Um Paulistão com os pequenos em alta chamaria a atenção, desde que eles mostrassem qualidade ou dessem sinais firmes de oxigenação e modernidade. Se fossem, como em outras eras, fontes de renovação de talentos, onde se pudessem pescar futuros craques. Quanto tempo faz que algum componente do trio-de-ferro não garimpa no interior? Se minha memória não estiver a bater pino, cito o Rivaldo, que despontou no Mogi-Mirim de início dos anos 90, até ser descoberto pelo Corinthians. Ou Roberto Carlos, que o Palmeiras praticamente tirou dos canaviais de Araras para lançá-lo no mundo. Mas isso foi no milênio passado.Exceto por episódios isolados, os nossos queridos clubes caipiras se transformaram em abrigo - temporário - de jovens medianos ou de profissionais rodados e quase em fim de linha. Os times são montados às pressas, para tapar brechas, e se desmancham com facilidade, sem bater, como dizia antiga propaganda do Leite Glória. Peneira daqui, esmiúça dali, sobra um ou outro candidato a astro.Qual contribuição esperar de Noroeste, Juventus, Marília, Ponte Preta, Guarani, para ficar apenas em um punhado de equipes tradicionais? Pouca, beirando o nulo. Uma pena, porque todas já foram berço de jogadores e técnicos famosos. Como prova de quebra da ?normalidade?, alguém pode citar o Guaratinguetá, esta bela surpresa do torneio de 2008 e que parece ter estrutura menos amadora do que a maioria de seus rivais. Com todo o respeito, o encaro como fenômeno - e, portanto, como algo passageiro, datado. Talvez nem mesmo o mais fervoroso torcedor da terra de São Frei Galvão creia na durabilidade desse elenco de boa qualidade.O brilho esporádico de times menores não me anima, não acredito nele - e juro que gostaria de ver os pequenos a incomodar de fato os bichos-papões. Vibrava quando a Ponte esteve perto de conquistar o título estadual ou quando o Guarani faturou o Campeonato Brasileiro de 1978. Cresci acompanhando duelos memoráveis entre os times do interior contra os da capital. Se bem que, saudosismo à parte, os nanicos ganhavam no varejo e apanhavam no atacado. Porque, na hora de a onça beber água, a taça ficava sempre com Santos, São Paulo, Corinthians e Palmeiras. Por acaso, agora é diferente? Não.Por isso, não vejo a subida do trio-de-ferro (meio enferrujado, é verdade) como a consagração do nada. O São Paulo rateia, mas tem grupo eficiente, o Corinthians melhora, mesmo sem ser um esquadrão, o Palmeiras caminha para recuperar posição de destaque. No momento importante, eles dão as cartas e parecem falar para os demais: "Moçada, acabou a brincadeira. Agora é coisa séria."O CHUTE DE MARCOSMarcos perdeu a cabeça, depois de ser atingido por Malaquias, no jogo em que o Palmeiras goleou o Bragantino por 5 a 2, e mereceu a expulsão. Agora, falar que corre risco de suspensão longa por agressão é um despropósito sem tamanho. Há lances que terminam com o cartão vermelho. Esse foi um. No mais, é correr risco de injustiça.

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