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Modalidades coletivas podem dar impulso na delegação do Brasil nos Jogos de Tóquio

Muitas vagas estão em disputa na última chance para basquete, futebol, handebol, rúgbi e polo aquático

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2020 | 18h06

As vagas para os Jogos de Tóquio ainda estão em disputa e algumas modalidades coletivas do Brasil terão uma última chance de carimbar o passaporte. Caso elas tenham sucesso, a delegação nacional será impulsionada por essas conquistas e poderá se aproximar de ter uma equipe recorde para uma Olimpíada disputada fora do País.

"O Brasil tem uma tradição em esportes coletivos. Basquete, futebol, handebol e voleibol foram campeões mundiais e medalhistas olímpicos ao longo de nossa história. Para os Jogos de Tóquio, o Brasil já está com cinco equipes classificadas e a expectiva é superar sete modalidades. Os próximos meses serão de muito trabalho e torcida para que tudo dê certo", avisa Jorge Bichara, diretor de esportes do COB.

No fim de semana, o COB (Comitê Olímpico do Brasil) pode garantir 30 atletas a mais caso as seleções masculina de futebol e a feminina de basquete tenham sucesso na disputa de seus pré-olímpicos. No quadrangular final na Colômbia, a equipe de futebol comandada pelo técnico André Jardine empatou com os donos da casa e agora enfrenta o Uruguai na quinta precisando da vitória para tentar encaminhar a vaga na rodada final contra a Argentina.

A equipe feminina de basquete, por sua vez, vai jogar em Bourges, na França, e nesta quinta-feira estreia contra Porto Rico. Se ganhar, dará um passo importante para a vaga, pois três seleções, de quatro no grupo, carimbam seu passaporte. "Nossa expectativa é conseguir ir bem e colocar em prática o que treinamos. Queremos fazer bons jogos e conquistar a vaga. Todos vêm fortes, mas trabalhamos bastante para obter a classificação. O time vem numa crescente e o objetivo é ir para a Olimpíada", avisa a ala Rapha Monteiro.

Outra modalidade que ganhou uma sobrevida foi o handebol com sua seleção masculina. A equipe derrapou no Pan, em Lima, e teve de torcer por uma combinação de resultados para ir ao pré-olímpico. Conseguiu e agora espera retomar o caminho das vitórias e boas atuações contra potências mundiais. "A expectativa é boa. Acredito que a gente deu sorte de nos três grupos do pré-olímpico, dois têm três países europeus e o nosso só tem um. Então nossa chance é boa", explica Thiagus Petrus, lateral da seleção.

Nessa repescagem, o Brasil vai encarar o Chile, algoz da equipe na semifinal do Pan, a Coreia do Sul e a favorita Noruega. Duas seleções vão a Tóquio. "Agora ano Sul-Centro Americano ganhamos do Chile, mas no pré-olímpico a história é totalmente diferente. E tem a Coreia do Sul, que foi vice no Asiático. É um time rápido e bem pequeno. Acho que podemos conseguir bons resultados e contra a Noruega temos condições de fazer um bom jogo e se estivermos em um bom dia podemos ganhar também. A expectativa é boa para conquistar a vaga para Tóquio", diz.

Se essas três modalidades têm boas chances para garantir vaga em Tóquio, o mesmo não se pode dizer das outras três, a começar pelo time masculino de basquete. Mesmo o Brasil tendo uma boa seleção, com jogadores experientes, a vaga é complicada porque vai enfrentar a dona da casa Croácia, favorita à classificação, além da possibilidade de cruzar com Rússia ou Alemanha. De qualquer forma, o time vai em busca do sonho olímpico e acredita na superação.

Já a seleção masculina de polo aquático também terá um desafio gigantesco contra grandes potências da modalidade para uma das vagas para Tóquio. "O Pré-Olímpico será uma competição muito difícil, pois seleções como Grécia, Montenegro, Croácia, Alemanha e Rússia também querem a classificação. Como técnico, devo acreditar nessa equipe. Já fizemos uma vez, vencendo os Estados Unidos, fato que ninguém acreditava", lembra o treinador André Avallone.

"Pode parecer difícil, para alguns pode ser impossível, mas enquanto existir chances de classificação, nós vamos trabalhar e acreditar que podemos. O grupo de atletas que temos quando se unem, ficamos muito fortes. O polo aquático brasileiro merece esta vaga no Jogos Olímpicos de Tóquio", continuou. Já a equipe feminina não vai disputar o pré-olímpico em Trieste, na Itália. Segundo a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), devido à ausência de patrocínio e limitação da verba da Lei Piva, a entidade teve de escolher entre a seleção masculina e a feminina. "Escolhemos o masculino, por ter maior chance de classificação", disse a entidade em nota.

Quem também está ciente das dificuldades é a seleção masculina de rúgbi sevens, que vai brigar na repescagem mundial pela única vaga em disputa contra grandes potências. "É um torneio muito difícil. É uma última vaga em disputa e só o campeão vai para a Olimpíada. Tem equipes fortes como França, Irlanda, Samoa e Quênia. Nossa seleção de sevens não está nas maiores competições do mundo, mas temos jogadores experimentados e que estamos usando no 15. No Pan em Lima,  disputamos o bronze, com chances reais de vitória. Tem possibilidade, mas é difícil", comenta Fernando Portugal, diretor técnico da CBRu (Confederação Brasileira de Rugby).

 

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