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Modelo de sucesso

Osvaldo é cearense, baixinho, tem uma porção de cravos no rosto, é pouco badalado, raramente frequenta programas esportivos e não faz marketing. Nunca foi ou será craque como Neymar, dificilmente vai ser cotado para jogar no Barcelona, mas é o principal jogador do caríssimo elenco do São Paulo e foi chamado com justiça para a seleção brasileira.

EDUARDO MALUF, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2013 | 02h05

Muitos talvez perguntem: "Será que falta assunto para a coluna?" Ao contrário. O atacante ainda tem pouco espaço na mídia por tudo o que vem fazendo. É hoje exemplo para tanta gente que planeja seguir a carreira profissional e até para alguns já consagrados, como o colega Luis Fabiano.

Ele mostra, com a camisa tricolor, que não é preciso ser gênio ou fora de série para brilhar no esporte e liderar um clube importante. Em 2012, os louros foram todos para o ótimo Lucas. Osvaldo, no entanto, teve papel tão decisivo quanto o companheiro para a conquista da Copa Sul-Americana e do quarto lugar no Brasileirão. Fez, por exemplo, um gol na final contra o Tigre e um golaço na vitória sobre o Vasco, no Rio - fundamental para que o time se garantisse na Libertadores deste ano.

Seu sucesso se deve a conceitos básicos e até óbvios, mas que muitos não são capazes de seguir: explorar ao máximo a capacidade técnica e física, evitar fazer o que não sabe, jogar sempre para a equipe e não perder o foco com assuntos secundários, como a arbitragem.

Com simplicidade, Osvaldo se tornou muito mais relevante para o São Paulo do que nomes famosos como Luis Fabiano, Ganso e Lúcio. Ao contrário do centroavante, raramente reclama com o juiz, apesar de apanhar dos adversários em quase todos os jogos. Em pouco mais de um ano, caiu no gosto do torcedor, a ponto de ser chamado pelos mais empolgados de "Cristiano Osvaldo" - alusão ao craque português Cristiano Ronaldo.

Em janeiro de 2012, chegou ao Morumbi cercado de desconfiança. Não foram poucas as apostas de que seria mais um Fernandinho ou Marlos, atacantes que passaram recentemente pelo clube. Eles corriam, corriam, mas quase nunca faziam a diferença. Eram esforçados, porém pouco úteis.

Emerson Leão não acreditava muito em seu talento. Com o treinador, Osvaldo passou bem mais tempo no banco do que em campo. Foram seis meses praticamente sem atuar. Nei Franco mudou o esquema e investiu no jogador do Ceará. Acertou em cheio e transformou um grupo apático num time competitivo. Osvaldo sabe a hora de driblar, passar e chutar. Nem sempre acerta, não faz malabarismos como Neymar, nem tem a incrível habilidade de Messi. Consegue, contudo, ser eficiente e decisivo, mesmo longe de genial.

A convocação por Felipão, anteontem, foi um prêmio para o esforço desse atleta já não tão garoto (fará 26 anos em abril). A concorrência é grande e sua passagem pela seleção talvez seja curta. Pouco importa. Quando encerrar a carreira e voltar para Fortaleza, terá muita história para contar.

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