Momento olímpico rejuvenesce

Um sucesso de público, um recorde financeiro aos cofres do Comitê Olímpico Internacional (COI) e, acima de tudo, um movimento olímpico rejuvenescido. Ontem, Londres concluiu a 30.ª Olimpíada da Era Moderna numa festa que marcou uma ruptura com o formalismo da aristocracia do COI e que transformou o estádio olímpico em uma grande balada para 80 mil pessoas e para mais de 1 bilhão de espectadores que assistiram pela tevê.

AMANDA ROMANELLI , JAMIL CHADE , ENVIADOS ESPECIAIS / LONDRES, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2012 | 03h04

O local onde Usain Bolt bateu seus recordes ganhou contornos de uma passarela para um desfile de personalidades da cultura britânica e uma trilha sonora incluindo desde a Filarmônica de Londres à Madness, passando por Ray Davies do The Kinks e Spice Girls. Não faltaram os ícones locais, do tradicional táxi ao Big Ben, Kate Moss, uma imitação de Winston Churchill recitando Shakespeare, num cenário do ritmo cotidiano das ruas londrinas e embalado por canções dos Beatles e Queen.

Também não faltaram os clichês que convinham tanto ao COI quanto aos britânicos, como a trilha de Imagine e a imagem de John Lennon, numa referência mais uma vez à cultura britânica e um mundo sem fronteira. Com todas as delegações no estádio, foi a vez de um festival dos 50 anos de "sinfonia de música britânica", de George Michael, Richard Jones e até Freddy Mercury incendiando a arquibancada e os milhares esportistas graças à tecnologia.

A festa era mais que bem-vinda. O COI admitia momentos antes que Londres havia modernizado a imagem dos Jogos. Não seria por acaso. A audiência bateu recorde graças aos novos meios de comunicação que garantiram o êxito entre os jovens e o lucro dos patrocinadores. "Esses foram Jogos alegres e gloriosos", declarou Jacques Rogge, presidente do COI, que destacou como o público se transformou na trilha sonora do evento e trouxe um "espírito festivo". "Londres escreveu uma nova história da Olimpíada", disse.

Onipresente em todos os locais de provas, a bandeira britânica literalmente serviu de palco ontem para a festa. Há 104 anos os britânicos não tinham um resultado tão expressivo no esporte. O fenômeno foi visto por sociólogos como um resgate da bandeira que havia sido sequestrada por movimentos xenófobos e que, desta vez, era o símbolo de uma geração multicultural representada por medalhistas britânicos muçulmanos, negros ou de olhos azuis. "Incendiamos o mundo", declarou Sebastian Coe, organizador dos Jogos, que chegou a usar palavras de Churchill. "Quando chegou a nossa vez, fizemos nossa parte."

Em plena crise europeia, a festa era ainda uma tentativa de resgatar a imagem do Reino Unido como o centro do mundo. "Vocês estão no centro do universo", gritou George Michael ao público. A balada também resumiu a esperança de uma humanidade festiva e unida, algo que poderá ter de esperar mais quatro anos para ser visto de novo, desta vez no Rio de Janeiro.

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