Reuters
Reuters

Mônaco 1996: Panis conquista a última vitória francesa na F-1

Olivier Panis teve no principado sua única vitória na modalidade

O Estado de S. Paulo

18 Novembro 2015 | 12h00

A temporada 1996 da Fórmula 1 foi especial para os franceses. Se hoje, o único piloto do país na categoria, Romain Grosjean, fica longe de conseguir resultados relevantes na temporada, há 11 anos uma zebra em Mônaco fez a "Marseillaise" ser tocada pela última vez no pódio da competição para um corredor. Em uma prova estranha e cheia de surpresas, Olivier Panis foi um dos três pilotos que terminaram a corrida na pista de rua do Principado. Nomes como Mika Hakkinen, Jacques Villeneuve, Damin Hill, Gerhard Berger e até mesmo Michael Schumacher viram dos boxes a "bleu, blanc, rouge", a bandeira francesa, ser erguida, já que apenas três competidores terminaram a corrida.

A torcida da França estava mal acostumada na F-1. A década anterior e o começo dos anos 1990 foram recheados de vitórias de Alain Prost. Panis chegou em Mônaco longe de estar entre os favoritos. A temporada até então havia sido dominada pelo britânico Damon Hill. A escrita parecia que ia se repetir até a 41ª volta. O inglês havia aberto 26 segundos para o piloto francês da Ligier, até então o segundo colocado. Seus maiores adversários, como Schumacher, não passaram nem da primeira volta.

A sorte de Panis veio quando uma fumaça branca saindo do motor da Williams de Hill mostrou que a corrida estava acabada para o líder da temporada. Eram tempos em que os motores dos carros estouravam. "Hill não se conteve: com os punhos cerrados e cabeça para cima, parecia perguntar a razão de tanta falta de sorte", publicou o Estado. Seria o primeiro britânico a vencer em Mônaco desde Graham Hill, pai do inglês, que venceu em 1969 (David Coulthard venceria no principado em 2000 e na ocasião ficou com a segunda colocação).

Com a saída do carro da Williams, o caminho ficou aberto para Panis fazer história. Ele largou apenas na 14ª colocação e parecia não acreditar quando foi o primeiro a passar pela bandeira quadriculada. "Sem falar inglês, um caso raro na F-1, Olivier disse que jamais esquecerá as sirenes dos iates tocando no porto e os bandeirinhas e bombeiros acenando para ele, em homenagem à vitória", escreveu o Estado

"Desde que Prost imortalizou a cena (de levantar a bandeira da França), ficava pensando quando isso voltaria a acontecer. Não poderia imaginar que seria eu, principalmente em um circuito que tem tanto significado para mim", disse o piloto. Beneficiado não apenas pelos vários carros que acabaram não completando a prova, mas também por uma estratégia inteligente: fez apenas um pit stop, na 28ª volta, para trocar os pneus de chuva pelos slick. Com isso passou a estabelecer voltas cada vez mais rápidas, chegando a segunda melhor marca na ocasião 1min25s581.

BRASILEIROS

A corrida foi bastante ruim para os pilotos do Brasil que estavam em Mônaco: Pedro Diniz, Ricardo Rosset e Rubens Barrichello. Os três não conseguiram terminar a prova. Barrichello bateu logo na primeira volta, Diniz saiu na quinta, em decorrência de uma quebra de um semi-eixo. Quem teve mais problemas foi Rosset. Ele rodou na terceira volta e saiu atirando contra sua equipe, a Arrows-Hart: "Não está dando para aguentar mais", disparou.

O motivo da confusão foi que o brasileiro não teria sido liberado para o treino extra, no warm up pela manhã, por causa da chuva. A alegação seria a falta de aerofólios dianteiros extras: caso ocorresse algum problema, eles não teriam como substituir. "Fui obrigado a largar sem conhecer direito o circuito e, ainda por cima, com chuva", afirmou bastante revoltado o piloto brasileiro. Ele deixaria a equipe no fim da temporada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.