Monopólio de bolas com chip trava adoção da medida

Negociação entre marcas esportivas e custo do equipamento estão entre os problemas debatidos na cúpula da Fifa

, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

JOHANNESBURGO

Na cúpula da Fifa, o debate passa longe de uma discussão filosófica sobre o uso ou não da tecnologia. Uma fonte da entidade confirmou ao Estado que um dos problemas para adotar as bolas com chip ou câmeras nos gols para avaliar lances duvidosos é que essa tecnologia é propriedade de apenas duas empresas: a alemã Cairos e a britânica Hawk Eye. Portanto, se a Fifa estabelecesse que a Copa deveria contar com esse recurso, isso significaria praticamente um monopólio das duas empresas sobre o campo.

A tecnologia foi patenteada pelas duas companhias, que investiram milhões de dólares para desenvolvê-las ao longo dos anos. A Adidas foi a primeira a introduzir a "bola inteligente". Agora, as empresas não estariam dispostas a cedê-la gratuitamente para concorrentes como a Nike, cujas bolas são usadas em campeonatos regionais e continentais.

Se a tecnologia fosse adotada em uma Copa, a regra estipula que também precisa ser implementada nas Eliminatórias dos cinco continentes, para garantir igualdade de condições entre as quase 200 seleções que disputam as 32 vagas para o Mundial. Poucos na Fifa duvidam da capacidade da Europa de difundir a tecnologia em seus estádios principais. Mas poucos acreditam que as federações de Mali ou do Camboja teriam condições de pagar pela tecnologia. / J.C.

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