Montadoras afastam o risco de efeito dominó na Fórmula 1

Categoria vive o temor de que outras equipes sigam o exemplo da Honda, fora da disputa

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

06 de dezembro de 2008 | 00h00

Apesar do temor do presidente da FIA, Max Mosley, de que outros times possam seguir o exemplo da montadora japonesa Honda e abandonar a Fórmula 1, caso não haja de imediato um corte drástico nas despesas, a Toyota e a Mercedes emitiram comunicado, ontem, desfazendo o risco do chamado efeito dominó. A direção das duas empresas se comprometeu a levar adiante seus programas na categoria, ainda que defendam, como Mosley, redução significativa nos custos. "Dentro de dois anos, disputar a F-1 custará a metade de hoje", disse Norbert Haug, diretor-esportivo da Mercedes, sócia da McLaren.   Confira mais informaçõesO dirigente alemão lembrou que ainda quarta-feira a associação das equipes, Fota, reuniu-se em Londres para definir um pacote de medidas a ser apresentado no próximo encontro do Conselho Mundial da FIA, dia 12, em Mônaco. "Nossa participação (da Mercedes) na F-1 está construída em bases sólidas e em grande parte financiada por nossos patrocinadores", explicou. A respeito da saída da Honda, afirmou: "A decisão só comprova a importância do trabalho de reduzir custos".Mas outra indústria automobilística alemã, a Audi, aproveitou o anúncio da Honda e, ontem, confirmou que deixará a American Le Mans Series, campeonato de protótipos realizado na América do Norte e vencido 9 vezes pela marca. "Mas continuaremos participando das 24 Horas de Le Mans, na França", falou o chefe de esportes da Audi, Wolfgang Ullrich.A nota da Toyota lembra a necessidade de o Conselho Mundial aprovar o que a Fota decidiu, e traz ainda: "Estamos totalmente comprometidos em seguir na F-1. Como empresa japonesa, lamentamos o ocorrido com a Honda, mas não nos cabe comentar sobre um problema que é deles".Bernie Ecclestone, promotor da F-1, e Mosley, atacaram duramente a política dos diretores da maioria das equipes. Os dois começaram numa época em que os donos dos times eram apaixonados pela competição e não visavam ao sucesso para vender mais carros. Ambos defendem completa revisão dos regulamentos técnico e esportivo da categoria. "O problema é que as escuderias são gerenciadas por técnicos que deveriam estar em casa jogando videogame em vez de gastar fortunas para ganhar corridas", afirmou Ecclestone.Críticas pesadas à atual política das montadoras vieram também de Mosley: "Não é racional você empregar entre 700 e mil pessoas apenas para fazer dois carros alinharem no grid 18 vezes por ano", disse. "Quando você tem uma crise financeira, tudo isso se transforma num cenário desastroso." Ontem mesmo, Mosley enviou carta a todas as equipes com o preço do uso do motor Cosworth e do sistema de transmissão X Trac padrão, contratados pela FIA para implantação em 2010. Valor: 6,24 milhões por temporada, ou cerca de 10% do que Ferrari, Mercedes, BMW, Renault, Toyota e Honda investem para produção do mesmo conjunto motor-transmissão. Na reunião da Fota, quarta-feira, em Londres, os times decidiram propor à FIA um motor turbo de 1,8 litro a partir de 2010 e se recusam a aceitar a idéia de conjunto único.Se a Honda não for adquirida, só 18 carros vão largar na abertura do Mundial de 2009, dia 29 de março, na Austrália. E não será a primeira vez que haverá menos de 20 concorrentes. Em 1969, por exemplo, o campeonato começou com 18 carros, caiu para 14 na etapa seguinte, na Espanha, e teve apenas 13 na França e na Alemanha. Mas Ecclestone está otimista: "A crise da F-1 não é maior do que a das grandes companhias. O mundo não vai parar."

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