Montillo no espelho de Muricy contra a Ponte Preta

Montillo vai jogar solto do meio para frente, mais perto de Neymar e sem a obrigação de marcar a saída do volante adversário. Era assim que Muricy Ramalho jogava no São Paulo na década de 70. E é assim que o treinador santista quer ver o meia argentino jogando, já amanhã contra a Ponte Preta, em Campinas.

SANCHES FILHO / SANTOS , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2013 | 02h06

"Montillo não é armador. Ele é meia-atacante. É o que no meu tempo se chamava de ponta de lança, posição em que eu jogava, voltando para compor o meio, mas quando o time retoma a bola vai agredir o adversário", disse Muricy ontem à tarde.

Com o novo posicionamento, Montillo vai ter a primeira oportunidade para mostrar o seu verdadeiro futebol. Ele vinha atuando mais atrás, na função de meia, e por isso ainda deve uma atuação que justifique os R$ 16 milhões que o Santos investiu na sua contratação - a mais cara da história do clube.

Para escalar Montillo, onde ele rende bem, foi preciso uma conjunção de acontecimentos. O principal foi a recuperação de Marcos Assunção. Como Muricy não quer abrir mão de nenhum dos seus talentos do meio-campo, foi preciso sacrificar um atacante. Renê Júnior é indispensável pelo poder de marcação, Arouca tem lugar garantido pela qualidade no desarme e na condução da bola. Assunção acrescenta muito em razão da experiência, bom passe e alto aproveitamento na bola parada. E Cícero tem espaço garantido por ser jogador de múltiplas funções.

A interminável má fase de André, que não faz gol desde outubro de 2012, mesmo tendo se submetido a treinamento físico especial e voltado ao peso ideal (85 quilos) e a contusão de Miralles (edema na coxa esquerda) facilitaram para que Muricy fizesse a mudança sem traumas.

Sem o atacante que atua pelos lados e vinha fazendo gols (Miralles) e com o jogador de área em baixa (André), o treinador resolveu adotar o sistema da moda, o 4-5-1, sem centroavante. E se der certo, vai continuar. Ao ser perguntado sobre o que espera do time na nova concepção tática, Muricy brincou. "Vou ver antes e falar depois do jogo, como fazem os comentaristas de futebol. Esperar para ver se vai funcionar ou não sem o cara de área e com a aproximação melhor de Cícero e Montillo, inclusive aproveitando Assunção e Arouca com mais liberdade."

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