Morte não causa exclusão corintiana

Ação de torcedores brasileiros que culminou com a perda da vida de garoto boliviano de 14 anos deve ter uma pena branda, como jogar fora de casa

GONÇALO JÚNIOR , RAPHAEL RAMOS , VÍTOR MARQUES, O Estado de S.Paulo

22 de fevereiro de 2013 | 02h07

O Tribunal de Disciplina da Conmebol promete começar a analisar em "até 48 horas" qual é a responsabilidade do Corinthians na morte do jovem Kevin Douglas Beltrán Espada, de 14 anos, torcedor do San Jose. Inquérito policial, relato do delegado da partida, imagens de tevê e a súmula do jogo serão utilizados para que a entidade decida pela punição ao clube brasileiro.

O Estado apurou que está descartada a exclusão do Corinthians da edição deste ano da Libertadores. A pena máxima seria aplicada apenas em casos extremos, na visão da entidade, como manipulação de resultados. O Corinthians, no entanto, não deve escapar de uma punição. A mais drástica é a perda de mando de campo ou até obrigar o time a jogar com portões fechados.

A repercussão da tragédia, segundo dirigentes da Conmebol, "obriga" a entidade a tomar uma decisão rápida para reforçar a ideia de que o novo Código Disciplinar criado este ano seja eficaz. A ideia é que a punição, caso ocorra, seja cumprida ainda nesta edição do torneio.

Esse caso deve ser julgado antes mesmo do episódio da confusão entre Tigre e São Paulo, na final da Copa Sul-Americana, no Morumbi - o Tigre abandonou o jogo e deve ser punido.

O novo Código Disciplinar da Conmebol foi criado no fim do ano passado, para passar uma imagem de linha dura da entidade, que deseja pôr fim à tese de que a Libertadores é um vale-tudo. Ontem, a entidade apenas publicou uma nota de pesar em seu site oficial.

Três integrantes da Conmebol vão julgar o caso. O presidente do Tribunal, Caio Cesar Vieira Rocha, não participará do processo porque é brasileiro. Quem comandará o caso será o uruguaio Adrián Leiza, vice-presidente da entidade.

Segundo o artigo 11 do novo Código, que passou a valer nesta edição da Libertadores, o Corinthians pode ser punido por causa da atitude de sua torcida.

Já o artigo 18, que trata das penas, diz que entre as punições estão multa, anulação de jogo, perda de pontos e até a exclusão da competição.

O Corinthians, por sua vez, ainda não foi notificado oficialmente pelo incidente que matou o garoto boliviano na partida disputada em Oruro. Segundo o advogado do clube, Felipe Santoro, isso deve ocorrer na semana que vem. "Seria muito prematuro falar em punição neste momento", afirmou.

O Corinthians crê que não será punido porque a morte de Kevin Douglas Beltrán foi acidental, como disse o presidente Mário Gobbi em entrevista coletiva no CT ontem.

Kevin morreu após ser atingido por um sinalizador disparado por torcedores do Corinthians que assistiam à partida, como mostra imagens da televisão boliviana (leia abaixo).

"Presumo que seja fatalidade, exceto que se prove o contrário, que alguém seja identificado e tenha usado de um fogo de artifício para dolosamente atingir um outro. Ou você tem essa prova de que fulano usou isso para atingir outro ou é uma fatalidade."

Doze torcedores do Corinthians suspeitos de matar Kevin foram detidos (leia na página E2). Gobbi disse que o clube não tem relação direta com a torcida e o clube não merece ser punido por um ato de um torcedor, caso seja provado que um corintiano foi o responsável pela morte do garoto.

"Primeiro tem de apurar. Não sabemos o que aconteceu. Um torcedor faleceu e não sabemos em que circunstâncias. Enquanto não se apura, é prematuro falar em punição."

Gobbi também negou que o clube tenha financiado - ou financie - viagens de torcedores das organizadas ou tenha pago os ingressos para eles.

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