Morumbi dribla interesses e se fortalece como palco

Estádio atende a 84% das exigências da Fifa e será bancado por seu dono

, O Estadao de S.Paulo

30 de maio de 2009 | 00h00

Palco de mais de 70 jogos da Taça Libertadores da América, lugar de grandes decisões estaduais e nacionais, sede de inúmeros duelos internacionais, o Estádio Cícero Pompeu de Toledo está vivíssimo na Copa de 2014. E, de acordo com a candidatura paulistana, pronto para receber o primeiro jogo do Mundial. "O Morumbi resistiu a todo tipo de interesses", admite João Paulo de Jesus Lopes, diretor de futebol do São Paulo. "Mas tivemos o privilégio de ser a escolha do governo estadual."O estádio atende plenamente às intenções do projeto da capital paulista, no qual o dinheiro público será destinado apenas para obras de infraestrutura. O São Paulo garante que vai captar com parceiros todos os R$ 180 milhões previstos para a adequação da arena, que terá 62 mil lugares. A maior parte do valor será destinada à construção de uma vistosa cobertura, com material igual ao do Ninho do Pássaro, em Pequim. "Esse será o grande desafio", atesta o arquiteto Ruy Ohtake, são-paulino que afirma fazer um trabalho ?quase voluntário? para o clube de coração.E a cidade já sai na frente. O São Paulo deve entregar, até o fim do ano, a primeira etapa de reformas do Morumbi. Todo o anel inferior será ocupado por camarotes e lojas, efetivando, assim, o sonho de fazer do local uma espécie de shopping. Afinal, o estádio são-paulino tornou-se fonte de renda, em vez de apenas desperdiçar recursos da entidade. A área de circulação do setor também ganhará uma bela intervenção visual. O piso, de resina, terá as cores do clube. O teto, com forro de PVC, será vermelho. Nas paredes, vitrines e imagens que contarão a trajetória tricolor.UM ANTIGO-MODERNO ESTÁDIORuy Ohtake afirma: é um prazer, mas também uma responsabilidade, intervir em um projeto de Vilanova Artigas. Segundo o arquiteto, seu ex-professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP foi extremamente generoso na concepção do projeto do Morumbi, pensado na década de 1950 mas com uma visão muito moderna. "Sem todos aqueles espaços livres, seria impossível atender às exigências da Fifa. Algo semelhante não seria realizável no Pacaembu, por exemplo."O projeto inicial, entregue para a Fifa em janeiro deste ano, já foi modificado, conforme o Estado informou na quinta-feira. Ohtake, a diretoria são-paulina e a candidatura paulistana não receberão, portanto, com surpresa, a informação de que a Fifa exigirá mudanças no esboço que recebeu - o que não quer dizer que o estádio será vetado para o Mundial. Modificações na localização das áreas de imprensa e de convidados, entre outros, ainda não foram enviados à Zurique.Mesmo assim, o arquiteto reitera que a arena são-paulina já está próxima das necessidades do Mundial. "O estádio tem 84% do que é preciso." Destaca que as áreas de vestiários, por exemplo, não precisarão ser muito modificadas, assim como o acesso externo - a circulação interna, sim, receberá novas diretrizes.O São Paulo, porém, comemora o fato de que não precisará fechar o campo para as obras. Em 2010, começam as mudanças no anel intermediário. Em 2011, as do setor superior. Ao fim, em dezembro de 2012, terá um "novo -velho" estádio de 54 anos.

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