Bruna Toni/Estadão
Bruna Toni/Estadão

Movido a cerveja e uísque, 'faz-tudo' do UFC é fã dos brasileiros

Aos 65 anos, Burnt Watson tem como tarefas controlar os lutadores e cuidar de detalhes da organização

Bruna Toni, enviada especial, O Estado de S. Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 12h45

LONDRES - Quando Renan Barão entrar no octógono no próximo sábado, ele vai lembrar dos “gritos” de Burnt Watson. Assim como todos os demais lutadores do UFC, o potiguar sabe bem que, no que depender desse norte-americano de 65 anos, a luta contra Michael McDonald na Arena Wembley, em Londres, na Inglaterra, será a melhor de sua vida.

Muito conhecido no mundo das lutas, Watson é o “cara” do maior evento de MMA do mundo. Simpático e comunicativo, ele trabalha como coordenador em todas as edições do UFC. “Na semana da luta organizo todas as coisas e coloco na cabeça dos lutadores o que eles devem fazer. Corro atrás de absolutamente tudo, reservas no hotel, preparação física, temperatura, agenda de trabalho, coletiva de imprensa, roupas e luvas dos participantes, tudo”, explica.

Entre tantas tarefas organizativas, o mais difícil talvez seja garantir o controle de cada atleta. Isto porque cabe a ele, também, aumentar a adrenalina dos lutadores antes de eles entrarem no octógono, deixando-os totalmente concentrados no combate que têm pela frente. “Eu tenho de fazer com que eles deixem tudo de lado por uma semana para que foquem apenas no trabalho”, conta o “faz-tudo” do evento de Dana White.

O norte-americano diz não ter muitos problemas com os atletas do Brasil: “Meu trabalho com os brasileiros não é difícil, porque eles têm um ótimo grupo técnico. Eles fazem as coisas do jeito deles, passam por um processo de preparação, e eu entendo isso, porque faz parte de quem eles são, e eles são ótimas pessoas. A maioria começa muito jovem, competindo entre si e em altos níveis.”

Dono de uma voz rouca e grave, que gruda na mente dos lutadores quando ele solta as suas frases de efeito e incentivo, Burnt Watson conta que o segredo é ter uma boa noite de sono. “Eu não cuido exatamente da voz, mas cuido de mim. Eu nunca passo das 9 ou 10 horas da noite e acordo todos os dias entre 5 e 6 da manhã”, revela. Cuidados que incluem uma dose diária de uísque e uma garrafa de Heineken todos os dias antes de dormir.

Com uma experiência profissional de fazer inveja, Watson começou sua carreira como coordenador de Joe Frazer, em 1995, e trabalhou com outros grandes nomes do boxe como Hector Camacho, Mike Tyson, Sugar Ray Leonard, Roy Jones e Oscar De La Roya. Apaixonado pelo que faz, ele garante que o salário hoje não é sua motivação. “Na minha idade, o que faço é muito mais por paixão do que por dinheiro. Por isso eu trabalho duro e faço as coisas ficarem simples, porque é de coração”, afirmou.

Watson, porém, é pessimista ao avaliar o presente do boxe quando comparado às artes marciais mistas. “Eu acho que o MMA está crescendo de maneira muito rápida, como nenhum outro esporte cresceu, é inacreditável. Mais rápido do que o boxe, do que o futebol. O boxe estagnou, vem perdendo seus grandes nomes ao longo do tempo. No MMA é justamente o contrário, há cada vez mais jovens talentos. O TUF é um exemplo disso”, avalia.

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