Arquivo/AE - 12/8/2009
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MP acusa de fraude empresa de amigo de Ricardo Teixeira

Ação na 5ª Vara Pública do DF diz que a Ailanto, promotora do amistoso Brasil x Portugal, fez várias irregularidades

VANNILDO MENDES , O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2012 | 03h03

BRASÍLIA - Em ação de improbidade, movida na quinta vara da Fazenda Pública do DF, o Ministério Público acusa a empresa Ailanto Marketing Ltda., de Sandro Rosell, amigo do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, de fraude no contrato de R$ 9 milhões para promover o jogo entre o Brasil e Portugal em 2008, em Brasília. Assinado às pressas, sem licitação, o contrato, segundo o MP, está "eivado de vícios" e contém indícios de que houve um pacto para desviar dinheiro público.

O Brasil venceu o amistoso por 6 a 2 e a Ailanto, que ganhou o contrato uma semana antes do jogo, tinha como sócio-gerente o empresário espanhol Sandro Rosell, atual presidente do Barcelona. O contrato foi assinado pela sócia brasileira da empresa, Vanessa Almeida Precht, segundo o jornal Folha de S. Paulo.

A Ailanto funcionou vários meses numa fazenda do presidente da CBF, arrendada à empresa, e a polícia encontrou cheques de Vanessa no valor total de R$ 20 mil depositados na conta dele.

Teixeira não figura como réu nessa ação, assinada por cinco procuradores de Justiça do DF e conclusa para julgamento. São réus o ex-governador José Roberto Arruda, preso e cassado por envolvimento no esquema de corrupção desmantelado pela operação Caixa de Pandora e o ex-secretário de Esportes, Agnaldo Silva de Oliveira, além da Ailanto.

Por meio de sua assessoria, Teixeira negou envolvimento nas irregularidades e disse que os direitos do jogo pertenciam à cervejaria Ambev, patrocinadora da seleção, e que a CBF não embolsou nada naquele amistoso. Insistiu que é inocente e enfatizou que, se deixar o cargo, será por razões pessoais. Afirmou ainda que suas relações com a Ailanto são legais e que não pode ser responsabilizado se a empresa tiver cometido alguma irregularidade.

Na defesa prévia entregue à Justiça, Arruda informou que o evento atendeu ao interesse público e estratégico do DF, que na época reivindicava ser incluída como cidade-sede da Copa de 2014. Garantiu que as cláusulas do contrato foram cumpridas e que não houve dano ao patrimônio público. Oliveira não foi encontrado para comentar o caso. A Ailanto também alegou ter cumprido o contato.

O MP apurou que, além de embolsar a quantia, a empresa deixou de pagar despesas de sua responsabilidade, no valor de R$ 1,3 milhão, que acabaram saldadas com dinheiro da venda dos ingressos pela Federação Brasiliense de Futebol, comandada à época pelo então secretário de governo do DF, Fábio Simão.

Conforme as investigações, Arruda mandou firmar o contrato com a empresa, passando por cima de normas legais e de parecer contrário da Corregedoria Geral do governo.

Segundo a ação, o contrato "desrespeitou os princípios que regem a administração pública, de modo especial os da legalidade, transparência e economicidade", o que configura improbidade administrativa.

A Ailanto, acrescenta a ação, mesmo recebendo os R$ 9 milhões do erário, não cumpriu com as cláusulas contratuais que lhe imputavam responsabilidade para arcar com os custos da execução do contrato, como segurança, hospedagem e traslado, "restando nítida sua má-fé".

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